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01/02/2017 13:37 por Redação

Alta da produção industrial em dezembro não se repetirá em janeiro

Depec-Bradesco*

Em linha com as expectativas, a produção industrial avançou no último mês do ano passado, impulsionada pelo setor automotivo. A despeito disso, os primeiros indicadores já conhecidos para janeiro apontam para reversão da melhora observada em dezembro, mesmo com a melhora da confiança. De fato, acreditamos que a retomada da atividade econômica se dará de forma gradual, com discreta expansão no primeiro trimestre deste ano, para posteriormente iniciar uma trajetória mais sustentável de crescimento.

A produção industrial subiu 2,3% entre novembro e dezembro, excetuados os efeitos sazonais, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada hoje pelo IBGE. O resultado veio em linha com a nossa projeção e com a mediana das expectativas do mercado, ambas de 2,4%, de acordo com os números coletados pela Bloomberg. Na comparação interanual, a produção recuou 0,1%, acumulando retração de 6,6% em 2016, menos intenso que o recuo de 8,3% observado em 2015.

Leia: IBGE: indústria reage em dezembro, mas fecha 2016 com queda de 6,6%.

Setorialmente, dezesseis dos vinte e quatro segmentos pesquisados contribuíram de forma positiva para a elevação da atividade industrial no período. Como já sugerido pelos dados divulgados pela Anfavea, o grupo de veículos automotores, reboques e carrocerias mostrou alta de 10,8% na margem. No sentido oposto, produtos farmoquímicos e farmacêuticos recuaram 11,7% em dezembro.

O forte crescimento da produção de veículos no último mês do ano passado impulsionou a elevação do setor de bens de consumo duráveis, com alta de 6,5% ante novembro. Acreditamos que, no próximo mês, a produção de duráveis deverá devolver ao menos parcialmente a expansão de dezembro, tendo em vista o crescimento dos estoques de automóveis. A produção de bens semiduráveis e não duráveis também registrou alta no período, de 4,1%, seguida pela fabricação de bens intermediários (1,4%).

Em contrapartida, a produção de bens de capital caiu 3,2% na passagem de novembro para dezembro, revertendo a elevação observada em novembro, acumulando contração de 11,1% no ano passado. Parte desse recuo na margem foi amenizada pela expansão de 1,4% na margem dos insumos típicos da construção civil. Ainda assim, os dados apontam para continuidade de queda da formação bruta de capital fixo no quarto trimestre do ano passado.

Para 2017, projetamos crescimento de 1,0% da produção industrial, contribuindo positivamente para a recuperação gradual da atividade econômica. De todo modo, é importante ressaltar que a forte expansão do setor agropecuário será determinante para o resultado do PIB deste ano, para o qual projetamos expansão de 0,3%. Além disso, reforçando nossa expectativa de retomada da economia, devemos considerar que os índices de confiança da indústria iniciaram o ano em alta, revertendo a queda observada no último trimestre de 2016. A elevação do consumo das famílias a partir do segundo semestre e a redução da taxa de juros também deverão favorecer o crescimento da atividade industrial ao longo deste ano, que contará com a capacidade instalada hoje em níveis de ociosidade elevados em diversos setores.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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