Home > ARTIGOS > Ativos financeiros sugerem melhora da economia global, mas há risco de frustração

ARTIGOS

03/04/2019 12:20 por Redação

Ativos financeiros sugerem melhora da economia global, mas há risco de frustração

Estevão Scripilliti, Thomas Pires e Ariana Zerbinatti*

Os ativos financeiros globais apresentaram ótimo desempenho desde o final de 2018, mesmo com dados econômicos ainda muito frágeis. Essa divergência de comportamento entre preços de ativos e o lado real da economia não é incomum e, normalmente, está associada às defasagens com que algumas políticas econômicas produzem efeito. Os ativos financeiros, por construção, embutem expectativas dos agentes em relação ao comportamento futuro da economia, dos lucros das empresas, das taxas de juros, do balanço de oferta e demanda por bens, entre outros condicionantes de preços.

Incorporadas as defasagens dos modelos e considerados os níveis atuais das variáveis explicativas mais relevantes, os modelos apontam para um crescimento mundial ao redor de 3,5% no final de 2019. Entretanto, o panorama hoje parece indicar um ritmo inferior a esse para os próximos meses. A despeito das surpresas positivas em março com os índices PMIs (Purchasing Manager´s Index) da indústria de transformação nos EUA, China e em algumas economias emergentes, nosso cenário base contempla desaceleração do PIB no primeiro trimestre. Os dados já divulgados entre janeiro e março deste ano são compatíveis com uma expansão de 2,9%, em termos anualizados, na comparação com o quarto trimestre de 2018, ligeiramente abaixo do previsto inicialmente (3,0%) e do resultado observado entre outubro e dezembro (também 3,0%). Assim, o ponto de partida para o ano como um todo é mais baixo do que o esperado.

Adicionalmente, permanecem no radar as incertezas sobre a resolução de alguns riscos de cauda, tais como o Brexit, eleições em países emergentes e desdobramentos das tensões comerciais entre Estados Unidos, China e Europa. Acreditamos que tais fatores de risco se dissiparão ao longo deste ano, levando a economia global a mostrar alguma aceleração do PIB neste segundo trimestre. Entretanto, reconhecemos que, no curto prazo, essas incertezas seguem presentes e têm impactado a atividade de forma mais intensa do que o esperado no final do ano passado.

Apesar de acreditarmos na estabilização da atividade global, com novos estímulos dos bancos centrais e impulso fiscal em países que têm espaço para fazê-lo, há o risco de que essa estabilização se concretize mais tarde e com nível de expansão inferior ao sugerido pelas atuais condições financeiras. Sendo assim, é importante alertar para o risco de que haja alguma reversão, nos próximos meses, da boa dinâmica dos preços de ativos vista desde o fim de 2018, para níveis mais compatíveis com crescimento mundial na vizinhança de 3,0%.

Clique no botão DOWNLOAD, logo abaixo, para ler o artigo com gráficos e tabelas.

* Estevão Scripilliti, Thomas Pires e Ariana Zerbinatti são economistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econõmicos do Bradesco.

DOWNLOAD '
Enviando