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03/07/2019 12:42 por Redação

Evidência internacional aponta para lenta retomada do emprego após recessões

Avanços na agenda de reformas somados aos estímulos monetários deverão contribuir para uma retomada mais vigorosa

Thomas Henrique Schreurs Pires e Rafael Martins Murrer*

Recessões profundas e duradouras costumam ter um efeito negativo e persistente sobre o mercado de trabalho. Isso é o que a teoria econômica e a análise de diversos períodos de crise em diferentes regiões sugerem. Esse fenômeno de persistência do choque da atividade sobre o emprego é denominado histerese. Uma das explicações para isso é que crises profundas e longas são caracterizadas por um extenso período com elevado desemprego. Na maioria dos casos há uma queda na qualificação dos trabalhadores desempregados, à medida que aumenta o tempo de afastamento do mercado, elevando a dificuldade para que esses trabalhadores se recoloquem.

Em episódios de recessões mais profundas pelo mundo, as quedas acumuladas do PIB foram um pouco maiores do que 5%, ao passo que, nos demais períodos de recessões, a contração média foi de aproximadamente 2%. Neles, o tempo de superação da crise (período para o PIB real retornar ao seu nível anterior ao da recessão) foi superior a dois anos, enquanto que nas recessões “normais”, o tempo médio foi de aproximadamente um ano e meio. O comportamento da taxa de desemprego nessas economias nos respectivos períodos deixa evidente o efeito da histerese, ou seja, o choque negativo sobre a atividade é persistente, contaminando o desemprego e demorando para se dissipar.

O Brasil está atravessando uma das mais profundas e longas recessões da sua história. O PIB encolheu 7% do período pré-crise (pico) ao pior momento (vale), ao passo que o desemprego aumentou de 6,8% para quase 13% no mesmo período. Adicionalmente, assim como nos episódios recessivos dos países citados anteriormente, a recuperação vem ocorrendo de forma bastante lenta (passados 5 anos após o início da recessão e 2 anos após o vale, o PIB ainda se encontra cerca de 5% abaixo do nível pré-crise). Por fim, estendendo essa mesma análise nos mesmos períodos para os investimentos, nota-se também uma forte contração no período, o que dificulta a rápida retomada do emprego.

A persistência desse cenário de elevada ociosidade no mercado de trabalho reduz a pressão sobre reajustes salariais, o que abre espaço para novos estímulos monetários. Ademais, ganha importância a continuidade de uma agenda de reformas: (i) macroeconômicas, para reduzir o déficit do governo, garantindo um melhor controle da inflação para que as taxas de juros de longo prazo permaneçam baixas e (ii) microeconômicas, para melhorar o ambiente de negócios. Os avanços na agenda de reformas somados aos estímulos monetários deverão contribuir para uma retomada mais vigorosa dos investimentos, do crescimento econômico e do emprego.

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* Thomas Henrique Schreurs Pires e Rafael Martins Murrer são economistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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