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04/04/2017 11:19 por Redação

Produção industrial apresentou sinais de estabilização em fevereiro

Leve alta de 0,1% reforça expectativa de crescimento de 1,0% do setor este ano

Depec-Bradesco*

Em linha com a nossa expectativa e abaixo do esperado pelo mercado, a produção industrial apresentou ligeira alta em fevereiro. A continuidade da melhora da confiança e os indicadores coincidentes conhecidos até agora sugerem que a atividade industrial já apresenta sinais de estabilização, bastante influenciada pela recuperação da produção extrativa.

Leia: Após cair 0,1% em janeiro, produção industrial avançou 0,1% em fevereiro.

A produção industrial subiu 0,1% entre janeiro e fevereiro, em termos dessazonalizados, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada hoje pelo IBGE. O resultado veio em linha com a nossa projeção (0,2%) e abaixo da mediana das expectativas do mercado (0,7%), segundo coleta da Bloomberg. Na comparação interanual, houve queda de 0,8%, acumulando retração de 4,8% nos últimos doze meses. Apesar do desempenho negativo em relação ao mesmo período do ano passado, o resultado foi insuficiente para reverter totalmente a alta interanual observada em janeiro, fazendo com que a atividade industrial acumule expansão de 0,3% nos dois primeiros meses deste ano.

Apesar da queda de 0,5% na margem, destacamos a elevação da produção da indústria extrativa, que subiu 4,7% na comparação interanual, marcando sua quarta alta consecutiva nessa métrica. Tal recuperação é explicada pelo efeito base, devido ao recuo da atividade extrativa após o acidente em Mariana-MG no final de 2015.

Treze dos vinte e quatro segmentos pesquisados contribuíram de forma positiva para a ligeira alta da produção industrial no período. Em relação às categorias de uso, apenas os bens de consumo semiduráveis e não duráveis (-1,6%) decresceram na margem, sendo que se destacam as elevações de bens de consumo duráveis (7,1%) e de capital (6,5%). A alta dos bens de consumo duráveis refletiu, principalmente, o crescimento das vendas de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,1%), como já sugerido pelos dados da Anfavea.

Já o desempenho positivo dos bens de capital no período foi impulsionado pela elevação de 9,8% da produção de máquinas e equipamentos. Apesar disso, ressaltamos que a expansão dos bens de capital em fevereiro compensou apenas parcialmente o recuo acumulado desde meados do ano passado. No mesmo sentido, os bens intermediários subiram 0,5% na margem. Na comparação interanual, com exceção dos bens intermediários, todas as categorias de uso apresentaram variações positivas, sinalizando alguma estabilização e posterior retomada da produção industrial.

Para 2017, projetamos crescimento de 1,0% da produção industrial, contribuindo positivamente para a recuperação gradual da atividade econômica. De todo modo, é importante ressaltar que a forte expansão do setor agropecuário será o principal determinante para o resultado do PIB deste ano, especialmente para o do primeiro trimestre, para o qual esperamos alta de 0,3%.

Além disso, reforçando nossa expectativa de retomada da economia, devemos considerar que os índices de confiança da indústria encerraram o trimestre passado em alta, revertendo a queda observada no último trimestre de 2016. A elevação do consumo das famílias a partir do segundo semestre e a redução da taxa de juros também deverão favorecer o crescimento da atividade industrial ao longo de 2017, a qual conta atualmente com a capacidade instalada em níveis de ociosidade elevados em diversos setores.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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