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05/03/2020 08:32 por Redação

Qual a primeira vez que te inspira?

Em pleno 2020, ainda é importante chacoalhar a sociedade para o Dia Internacional da Mulher

Rachel Cardoso*

O mito de 'mulherão da porra’ vem daquela mulher independente, que viaja sozinha, faz o que bem entender, paga suas contas, se contenta com a própria companhia, curte a vida do jeito que quer... Nada parece lhe abalar, ela é inteligente, competente, boa profissional. Tem também um corpão e isso não tem nada a ver com magreza, pois ela se acha linda do jeito que é. Enfim, nada lhe tira a paz de espírito.

Agora fala sério.

Que mulheres se encaixam completamente no padrão ali em cima descrito? Isso é mito.

Até as divas que nos inspiram têm seus dias de cão.

Imagina a Fernanda Montenegro, do alto de seus bem vividos 89 anos, e tendo de lidar com a repercussão do ataque de um imbecil feito o Roberto Alvim.

Pois é.Nenhuma mulher é todo dia tão forte assim. Nenhum ser humano é assim. Tem dia que a gente só se sente mesmo um nadica de nada nesse mundão. E não tem problema.

De vez em quando, isso acontece.

“Vai chorar, vai sofrer, e você não merece. Mas isso acontece”, já cantava lindamente Cartola!

Num momento delicado como o atual pode ser que isso aconteça com mais frequência. Muitas mulheres ainda estão atravessando a ponte entre o cuidar e o assumir suas vidas nas próprias mãos. E nem sempre é fácil desconstruir conceitos errôneos sobre gênero e – sobretudo idade – ao longo desse percurso.

Todo esse estigma ainda pesa muito mais na trajetória feminina e não é papo de mulherzinha. Estudos comprovam, conforme já discutimos no artigo Na questão de sobrevivência as mulheres são o sexo mais forte.

Virando o jogo

Mas ao decidir mudar essa situação, muitas de nós criamos novos negócios e formas alternativas de empreender; trocamos de marcha e turbinamos a carreira, fazendo a diferença para si e para a sociedade.

Tanto é assim que pela primeira vez, a Forbes lança a lista 50 over 50, para reconhecer mulheres que inspiram com mais de 50 anos. Uma tendência num mundo que envelhece a passos largos.

E foi inspirada nessa iniciativa que comecei a pensar em como, em pleno 2020, ainda é importante chacoalhar a sociedade para o Dia Internacional da Mulher. Então, fiz uma lista de primeiras vezes que vão sempre me inspirar a mudar e a transgredir quando necessário.

Ah, só para lembrar que nem todos os feitos importantes precisam estar à altura de uma dupla como Ester Sabino e Jaqueline Goes de Jesus, cientistas que lideraram o sequenciamento do coronavírus. Uma das últimas coisas que fiz pela primeira vez, extremamente marcante, foi quando dei banho na minha mãe no hospital.

Não que não tivesse feito outras coisas libertárias como colocar um piercing aos 40; ou correr a primeira maratona em Roma aos 42; e por aí afora. Mas nada se compara àquele momento. Uma ocasião que para ela deve ter sido muito constrangedora e, talvez até humilhante (nunca falamos sobre), mas foi capaz de ressignificar minha existência. Foi ali que decidi voltar para perto e estreitar meus laços familiares, dando vazão a um novo papel de filha e de mulher.

Fácil nunca é. Transformar-se envolve riscos e sempre haverá perdas e ganhos. O que importa mesmo é que apesar de todos os dias de cão, a nossa coragem de desbravar, explorar, desobstruir não esmoreça.

Confira, então, as primeiras vezes desses mulherões!

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E você? Qual foi sua última primeira vez?

* Rachel Cardoso, jornalista, é editora do blog Casa de Mãe.

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