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05/09/2019 07:24 por Advillage

YouTube pagará multa de US$ 170 milhões em caso de proteção de dados de crianças

Portal de vídeos estaria utilizando informações pessoais de menores - sem o conhecimento dos pais - para veicular publicidade dirigida

O YouTube concordou em pagar uma multa recorde de US$ 170 milhões nos Estados Unidos e prometeu proteger melhor os dados das crianças que navegam na plataforma de vídeo, após um acordo com a Justiça que os críticos consideram insuficiente.

Trata-se do acordo pecuniário mais significativo até hoje em um caso relacionado à proteção da privacidade das crianças, mas atinge apenas uma parcela ínfima do lucro de US$ 31 bilhões que a Alphabet, empresa controladora do YouTube e do Google, obteve em 2018.

O caso remonta a abril de 2018, quando 23 organizações de defesa dos direitos digitais e de proteção da infância apresentaram uma ação à FTC (Federal Communications Commission, órgão regulador das comunicações nos Estados Unidos). Nela, acusavam o YouTube de coletar dados pessoais de menores (como localização, aparelho usado e número de telefone) sem o conhecimento dos pais, usando esses dados para autorizar publicidade dirigida, relata a AFP.

Anúncios personalizados, com base nos dados do usuário coletados automaticamente, impulsionam os resultados da publicidade e os lucros das redes sociais. Alphabet e Facebook recebem a maior parte da publicidade online, com mais de 55% de participação de mercado nos EUA.

O acordo amigável, que teve oposição de dois dos três comissários que compõem a FTC, por considerarem que não era rigoroso o bastante, obriga o YouTube a mudar seus métodos de coleta de dados - que se limitará ao necessário para o bom funcionamento do serviço. Não haverá publicidade dirigida sobre este tipo de conteúdo, nem a possibilidade de deixar comentários.

Os youtubers mirins mais populares ganham centenas de milhares de dólares e serão diretamente afetados pelas novas medidas, observa a AFP. A plataforma dará quatro meses para eles se adaptarem e criará um fundo de US$ 100 milhões para criar conteúdo originais destinados às crianças no YouTube e no YouTube Kids em todo o mundo.

Rohit Chopra, um dos dois comissários contrários ao acordo, avaliou que ele não implica nenhuma responsabilização individual, não leva a empresa a mudar questões fundamentais e, por fim, que a multa é tão baixa que permite à empresa manter os lucros de suas atividades ilegais. "Os termos do acordo são tão benevolentes que o Google nem achou necessário alertar seus investidores", disse Chopra.

As organizações que apresentaram a queixa também consideraram o acordo insuficiente, mas elogiaram a opção de "forçar a Google a assumir a mentira mantida por anos: que não tinha como alvo as crianças no YouTube", disse Jeff Chester, do Center for Digital Democracy.

O acordo ainda precisa ser aprovado pelo Departamento de Justiça dos EUA, o que costuma ser uma mera formalidade.

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