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05/11/2019 08:03 por Advillage

Texto que aponta ‘esquerdismo’ no jornalismo causa polêmica no Senado

"Quem define a linha editorial são os donos dos veículos", diz Fenaj sobre ilação do presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso

O Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional está finalizando, e deve entregar nos próximos dias, um estudo sobre a liberdade de imprensa no Brasil. Durante a discussão realizada nesta segunda-feira (4), o texto assinado pelo presidente do CCS, Murillo de Aragão, para o documento, causou polêmica. Isto porque o texto aponta uma alegada "hegemonia esquerdista" nas redações dos veículos de comunicação do país, como um dos fatores que historicamente comprometeram uma abordagem mais ampla dos temas públicos.

A abordagem de Aragão, que é cientista político, foi contestada pela presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga, e pelo também jornalista Davi Emerich. Para Braga, a linha editorial de todos os veículos de comunicação brasileiros "são dadas pelos donos, pelos empresários que controlam os meios". Já Emerich apontou, entre outros fatores, que a cobertura dos temas econômicos é "monocórdica", priorizando sempre os interesses dos bancos e do mercado financeiro como um todo.

Braga ainda citou o estudo "Perfil do Jornalista Brasileiro", uma parceria da Fenaj com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), para se contrapor à tese de Aragão.

“Essa pesquisa mostra que o jornalista se identifica como "progressista". Mas a mesma pesquisa mostra que ele não milita nem em igreja. Não milita em lugar nenhum, nem em sindicatos ou outras associações. O produto jornalístico veiculado no Brasil mostra que o esquerdismo passa longe. Nas coberturas das reformas trabalhista ou da Previdência, por exemplo, as reportagens nos veículos privados praticamente só ouviam pessoas a favor. Se o esquerdismo predominasse, não seria assim”, afirmou Braga.

Emerich ainda acrescentou que os cursos de comunicação social no país seguem mais as abordagens quantitativas consagradas nos EUA do que qualquer outra abordagem de viés marxista. Ele ainda considera ruim que o suposto "esquerdismo" das redações brasileiras seja alegado num momento em que o governo brasileiro — na sua avaliação, de "extrema direita" — taxa como "comunista" qualquer manifestação divergente.

Na resposta a Braga e Emerich, o presidente do CCS disse ter feito uma abordagem histórica calcada no pluralismo. E que quando fala em esquerdismo, refere-se mais à linha norte-americana, do "liberal de esquerda", que a seu ver também predomina na mídia dos EUA.

O presidente do CCS disse que ser esquerdista “não é um problema”, desde que isso não interfira nas coberturas a ponto de comprometer abordagens amplamente pluralistas. Também considerou "estranho" que outros problemas apontados no seu texto não tenham chamado a mesma atenção.

O estudo sobre o estado atual da liberdade de imprensa no Brasil atende a um pedido da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA). O documento ainda conta com contribuições de entidades patronais e análises enviadas por diretores de diversos veículos. A intenção do CCS é entregá-lo oficialmente ainda durante esta semana à senadora e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

A reunião desta segunda-feira marcou o fim do mandato de quatro anos de Murillo de Aragão como presidente do CCS.

Com Agência Senado

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