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06/12/2018 07:56 por Redação

O ambiente externo se torna mais desafiador para a América Latina

Constantin Jancsó*

As crises cambiais envolvendo Turquia e Argentina (duas vezes) ao longo de 2018 são reflexo do expressivo aumento da aversão ao risco no ambiente externo. A explicação para esse ambiente menos favorável para economias emergentes pode ser encontrada na alta de juros nos EUA, nas persistentes tensões comerciais entre as duas maiores economias globais, na frustração das expectativas com relação ao crescimento econômico na Europa e no temor quanto à sustentação do crescimento na China (não obstante, a política de estímulos do governo), entre outros.

As perspectivas econômicas para a América Latina pioraram por conta do ambiente internacional, mas também porque a região não contará mais com o estímulo gerado pela combinação de desinflação e queda de juros. Com taxas de inflação mais próximas das metas, os bancos centrais encerraram os ciclos de corte de juro (exceto no México, onde a política monetária está em trajetória contracionista há algum tempo por conta da depreciação cambial), e a discussão está aos poucos migrando para o início do ciclo de alta (já iniciado no Chile).

Uma eventual desaceleração mais forte da economia mundial é o principal fator de risco do cenário para Chile e Peru. São economias que não enfrentam desequilíbrios internos relevantes, mas que estão expostas ao desempenho do comércio global por serem abertas e por terem termos de trocas muito sensíveis aos preços das commodities. Suas perspectivas econômicas pioram por conta de eventuais quedas nos preços das metálicas, mas podem ser beneficiadas pela queda da cotação do petróleo.

A Argentina também é sensível ao ciclo de commodities, mas além disso, enfrenta expressivo desequilíbrio fiscal e em seu balanço de pagamentos. O país enfrentou duas crises cambiais, pressionando ainda mais a inflação e forçando o governo a buscar um novo acordo com o FMI e abandonar o gradualismo em sua política de ajustes. A adoção de regime monetário extremamente duro (implicando em taxas de juro elevadíssimas) a partir de agosto parece ter estabilizado a situação, mas tudo indica que o país enfrentará uma recessão severa.

No Brasil e no México, as atenções estão voltadas para a transição aos governos recém-eleitos. No caso brasileiro, a solidez das contas externas garante mais tranquilidade para implementar o ajuste fiscal, apesar da piora do ambiente externo, mas o avanço da agenda de reformas é um condicionante importante para a retomada sustentável do crescimento. Já no México, os fundamentos macroeconômicos no ponto de partida do governo de López Obrador estão equilibrados (especialmente após o sucesso nas negociações comerciais com os EUA), mas a decisão de interromper a construção do novo aeroporto internacional na capital do país, onde já havia sido feito investimento bilionário, e a sinalização de que o novo governo usará consultas públicas para viabilizar politicamente seus projetos têm gerado temores de maior intervencionismo na economia.

A Colômbia parece estar mais bem posicionada para crescer depois de ter ajustado seu déficit em transações correntes e baixado a inflação para a meta. Mas ainda há desafios para a política econômica. As dificuldades em aprovar a reforma fiscal no Congresso podem pressionar o resultado fiscal e, no caso de elevação dos impostos, a inflação em 2019. Isso pode tornar a condução da política monetária mais desafiadora em 2019, lembrando que a queda do preço do petróleo também gera impactos negativos sobre os termos de troca e sobre as contas fiscais.

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* Constantin Jancsó é economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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