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07/03/2017 12:14 por Redação

Análise: números do PIB sinalizam leve alta de 0,1% da economia no 1º trimestre do ano

Após a retração geral de 3,6% em 2016, setor agrícola pode propiciar pequena reação no início de 2017

Depec-Bradesco*

O PIB registrou queda de 0,9% no quarto trimestre do ano passado na comparação com os três meses anteriores, de acordo com os dados divulgados hoje pelo IBGE. O resultado ficou ligeiramente abaixo da nossa projeção (-0,7%) e da mediana das expectativas do mercado (-0,5%), segundo coleta da Bloomberg. Na comparação interanual, o PIB recuou 2,5%. Com isso, acumulou retração de 3,6% em 2016, próxima à queda de 3,8% observada em 2015. Em termos nominais, o PIB chegou a R$ 6,3 trilhões no ano passado.

Leia: Economia brasileira recua 3,6% em 2016, e PIB soma R$ 6,26 trilhões.

Pela ótica da oferta, o setor de serviços manteve a trajetória negativa dos trimestres anteriores, ao recuar 0,8% na margem, com retração generalizada dentre os seus segmentos. No mesmo sentido, o PIB industrial caiu 0,7%, reduzindo o ritmo de queda em relação ao trimestre anterior, quando apresentou variação negativa de 1,4%. Em contrapartida, o PIB agropecuário subiu 1,0% na mesma base de comparação. Esperamos aceleração da atividade agropecuária neste trimestre, em virtude da safra agrícola recorde. Apesar de seu peso relativamente pequeno no PIB agregado, a forte alta esperada deverá impulsionar o PIB total no período.

Na ótica da demanda, o consumo das famílias caiu 0,6% na passagem do terceiro para o quarto trimestre do ano passado, acumulando queda de 4,2% em 2016. Para este ano, projetamos estabilidade do consumo, diante do fim do ajuste do mercado de trabalho, que deverá ocorrer até meados deste ano. Já o setor externo passou a contribuir negativamente com o resultado do PIB, ao mostrar alta na margem de 3,2% das importações e contração de 1,8% das exportações. Acreditamos que conforme a atividade econômica se estabilize e se recupere, as importações responderão com altas mais intensas. Aliás, os últimos dados de balança comercial já apontam nessa direção.

Mais uma vez, a formação bruta de capital fixo (FBCF) mostrou desempenho negativo, embora em magnitude menor que a esperada. De fato, a FBCF caiu 1,6% na margem, ante contração de 2,5% no trimestre anterior. No ano, apresentou retração de 10,2% em relação a 2015. Para 2017, esperamos alta de 2,5% deste componente. A redução da taxa de juros e a melhora da confiança do empresariado industrial, combinadas com a necessidade de reposição de capital (os investimentos estão em patamar inferior ao necessário para compensar a depreciação), deverão elevar os investimentos neste ano.

Diante do resultado conhecido hoje e levando em consideração os indicadores antecedentes e coincidentes referentes ao trimestre vigente já divulgados, esperamos elevação de 0,1% do PIB no primeiro trimestre deste ano, impulsionada pelo desempenho bastante positivo do setor agrícola. Entendemos que a recuperação dos demais setores se dará de forma gradual e deverá ocorrer a partir do segundo trimestre. Para 2017, mantemos nossa projeção de crescimento de 0,3% do PIB.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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