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08/02/2017 13:47 por Redação

IPCA de janeiro reforça expectativa de convergência da inflação em direção à meta

Lenta retomada da atividade, comportamento favorável dos preços de alimentos e a apreciação cambial deverão contribuir para desinflação

Depec-Bradesco*

O IPCA apresentou alta de 0,38% em janeiro, segundo os dados divulgados hoje pelo IBGE. O resultado veio em linha com a nossa projeção (0,39%) e abaixo das expectativas do mercado (0,42%), de acordo com as estimativas coletadas pela Bloomberg. Além disso, marcou a menor elevação para meses de janeiro desde 1994. Assim, o IPCA acumulou alta de 5,35% nos últimos doze meses, o que representa desaceleração importante em relação à elevação de 6,29% observada no final do ano passado. Reforçamos, portanto, nossa expectativa de que o IPCA convergirá em direção ao centro da meta de 4,5%, estabelecida pelo Banco Central (BC), no final deste ano.

Leia: IPCA varia 0,38% em janeiro e acumula 5,35% em 12 meses.

A ligeira aceleração em relação à elevação de 0,30% observada em dezembro refletiu a maior pressão em  seis de seus nove grupos. Apesar da maior alta de alimentação e bebidas, passando de uma elevação de 0,08% para outra de 0,35% entre dezembro e janeiro, os preços desses itens seguiram com variação abaixo da sazonalidade do período.  Esse movimento deve se repetir nos próximos meses, conforme sugerido pela deflação dos preços de alimentos no atacado. A perspectiva de forte crescimento da safra agrícola neste ano, em conjunto com a ausência de efeitos climáticos adversos neste primeiro semestre, deverá contribuir para pressões baixistas ao longo deste ano. Vale destacar que esse cenário mais benigno para a inflação de alimentos nos próximos meses traz um viés de baixa para a nossa projeção de que o IPCA chegará a uma elevação de 4,5%.

Os indicadores de inflação subjacente desaceleraram em janeiro. Os preços de serviços, por exemplo, subiram 0,38% em janeiro, ante avanço de 0,65% no mês anterior, acumulando alta de 6,20% nos últimos doze meses. No mesmo sentido, a média dos núcleos por exclusão oscilou de uma elevação de 0,40% para outra de 0,36%, acumulando alta de 5,77% nos últimos doze meses.

Para fevereiro, acreditamos que o IPCA deverá subir 0,45%, diante da elevação sazonal dos preços de educação. Porém, a lenta retomada da atividade econômica, o comportamento favorável dos preços de alimentos e a apreciação cambial recente deverão contribuir para a continuidade da desinflação neste ano. Essas condições, por sua vez, têm aumentado a probabilidade de que o IPCA termine 2017 com variação abaixo do centro da meta.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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