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08/03/2017 11:43 por Redação

Produção industrial tem primeira alta interanual desde fevereiro de 2014

Comparação entre janeiro deste ano e o mesmo mês do ano passado fortalece expectativa de retomada gradual do setor

Depec-Bradesco*

Em linha com as expectativas do mercado e acima de nossa projeção, a produção industrial apresentou ligeiro recuo em janeiro. A primeira elevação interanual nos últimos trinta e cinco meses, juntamente com a melhora da confiança dos empresários, fortalece nossa expectativa de retomada gradual do setor industrial e da atividade econômica como um todo. Para fevereiro, as informações conhecidas até o momento sugerem alta da produção industrial.

Leia: IBGE: após a alta em dezembro, produção industrial recuou 0,1% em janeiro.

A produção industrial caiu 0,1% na passagem de dezembro para janeiro, descontada a sazonalidade, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada hoje pelo IBGE. O resultado veio em linha com a mediana das expectativas do mercado e acima da nossa projeção (-0,8%), segundo as estimativas coletadas pela Bloomberg. Merece destaque o crescimento interanual de 1,4%, marcando a primeira variação positiva desde fevereiro de 2014. Apesar disso, os números negativos do ano passado fazem com que a produção industrial acumule queda de 5,4% nos últimos doze meses.

Setorialmente, doze dos vinte e quatro segmentos contribuíram negativamente para o ligeiro recuo na margem da atividade industrial. Como já apontado pelos dados divulgados pela Anfavea, o grupo de de veículos automotores, reboques e carrocerias mostrou queda de 10,7% na margem, devolvendo parte da forte expansão de dezembro, que havia impulsionado a produção total daquele período. Dentre os ramos que apresentaram desempenho positivo, a maior alta foi observada no segmento de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (21,6%), que mais que compensou o declínio do mês anterior.

Apesar das quedas na margem da produção de bens de captial e de bens de consumo duráveis, todas as categorias de uso registraram variações interanuais positivas. De fato, a produção de bens de capital caiu 4,1% na margem, mas mostrou avanço de 3,3% na comparação interanual. No mesmo sentido, os bens de consumo duráveis apresentaram retração de 7,3%, refletindo o desempenho negativo da fabricação de veículos. Contudo, cresceram 3,2% ante janeiro de 2016. Já os bens intermediários e de consumo semiduráveis e não duráveis mostraram altas na margem de 0,7% e de 3,1%, respectivamente.

Também destacamos o desempenho positivo dos insumos típicos da construção civil, que subiram 1,4% na margem em janeiro, apresentando, assim, sua terceira elevação consecutiva. Na comparação interanual, houve declínio de 4,0%, o que representou redução do ritmo de declínio nessa métrica. Tais dados reforçam nossa expectativa de que os investimentos apresentarão alta neste ano de 2,5%.

Para 2017, projetamos crescimento de 1,0% da produção industrial, contribuindo positivamente para a recuperação gradual da atividade econômica. De todo modo, é importante ressaltar que a forte expansão do setor agropecuário será o principal determinante para o resultado do PIB deste ano. Além disso, reforçando nossa expectativa de retomada da economia, devemos considerar que os índices de confiança da indústria iniciaram o ano em alta, revertendo a queda observada no último trimestre de 2016. A elevação do consumo das famílias a partir do segundo semestre e a redução da taxa de juros também deverão favorecer o crescimento da atividade industrial ao longo de 2017, a qual conta atualmente com a capacidade instalada em níveis de ociosidade elevados em diversos setores.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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