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09/01/2017 08:46 por Redação

Conjuntura macroeconômica: Selic pode ter cortes mais agressivos em 2017

Últimas semanas de 2016 trouxeram mais elementos positivos para o balanço de riscos das projeções de inflação neste ano e em 2018

Depec-Bradesco*

Esperamos cortes mais agressivos da Selic em 2017.

• As últimas semanas trouxeram mais elementos positivos para o balanço de riscos das projeções de inflação para 2017 e para 2018, motivando uma revisão em nossa trajetória futura da taxa de juros. Esperamos agora que o Banco Central (BC) realize cortes mais agressivos da taxa Selic a partir de fevereiro, levando-a para 9,5% ao fim de 2017 e para 8,5% ao fim de 2018. Nosso cenário anterior contemplava taxas de 10,25% e 9,25% nesses períodos, respectivamente.

• Entendemos que os fundamentos para um corte mais agressivo em janeiro, de 75 pontos, já estão presentes. Contudo, a comunicação recente do BC nos sugere que o ritmo mais provável de queda na primeira reunião do ano será de 50 pontos. Nossa avaliação sobre o que o BC vai fazer no curtíssimo prazo leva em consideração esse aspecto e a estratégia gradualista empreendida até aqui pela autoridade monetária.

• Entendemos que a combinação dos vetores dentro do modelo de inflação não sugere um ritmo de cortes de 50 pontos ao longo de 2017. O ritmo de 50 pontos por reunião parecia fazer mais sentido em um cenário de (i) câmbio mais depreciado, seja por riscos internos ou externos; (ii) atividade já mostrando recuperação ou (iii) forte resiliência inflacionária. Ainda que sempre haja riscos para o cenário base, avaliamos que nenhum dos vetores mencionados está presente neste momento na economia, de modo que o ritmo de cortes de 50 pontos, contemplado em nosso cenário anterior, muito provavelmente levaria a uma inflação abaixo da meta em 2017 e em 2018.

Preços de mercado sinalizam ganhos setoriais heterogêneos e volta mais rápida da inflação à meta do Fed sob Trump.

• Mesmo com a disseminada percepção de incerteza, é possível encontrar nos preços de mercado a direção inicial esperada pelos agentes para os primeiros passos do novo governo dos EUA. Os preços de mercado estão longe de serem previsores perfeitos do futuro, mas são bons sinalizadores momentâneos das probabilidades e dos riscos percebidos pelos agentes para a ocorrência de cada evento.

• Se analisarmos por exemplo os ativos de renda fixa, fica evidente que a eleição de Trump reposicionou o balanço de riscos para cima tanto para a atividade como para a inflação. Desde a vitória do republicano, os juros dos títulos de 2 anos subiram 36 bps, de 0,85 para 1,21, em grande medida em função do aumento da expectativa de inflação para o mesmo período, que subiu de 1,58 para 2,37.

• A bolsa americana sinaliza uma leitura positiva sobre a economia, ainda que heterogênea setorialmente. O setor financeiro, por exemplo, é o maior destaque positivo da bolsa, e pode ser beneficiado por uma revisão das normas mais rigorosas aplicadas pela Dodd-Frank na regulação das empresas do setor a partir da crise de 2008. O setor de energia pode ser beneficiado por uma revisão regulatória que reverta parte das restrições ambientais impostas pelo governo Obama, o qual seguia a diretriz da gradual alteração da matriz energética em favor de fontes renováveis. O desempenho positivo das ações de empresas pertencentes a setores industriais parece responder mais às políticas mais protecionistas que o novo governo pode vir a implementar. Mesmo antes da posse, o presidente eleito tem sinalizado que empreenderá esforços para manter e construir novas unidades fabris no país.

• Portanto, a visão inicial do que se desenha para a nova política econômica americana contempla menos regulação, maior protecionismo a setores industriais, estímulo fiscal, crescimento de curto prazo mais elevado, mais inflação no curto prazo e o Fed atuando de maneira mais tempestiva na normalização dos juros. As incertezas continuarão presentes, mas são estes os sinais que os preços de mercado nos dão com o conjunto de informações disponível atualmente

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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