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09/09/2019 08:00 por Redação

Juros devem cair abaixo de 5% até o final do ano

Em relação ao crescimento, a desaceleração global em curso tende a ter um efeito contracionista importante sobre o PIB brasileiro

Depec-Bradesco*

Apesar da desvalorização da moeda brasileira no último mês, esperamos continuidade do processo de redução de juros neste ano, que deve cair abaixo dos 5%. Os preços de commodities em reais não se alteraram de maneira significativa nas últimas semanas, mantendo o cenário de inflação estável. Em um ambiente de crescimento ainda moderado e sem sinais de retomada sustentada, reduzimos nossa expectativa de juros para 4,75% até o final deste ano e prevemos manutenção desse patamar até o final de 2020.

Olhando para diversas métricas de “valor justo” da moeda, todas apontam para níveis entre R$/US$ 3,60 e R$/US$ 3,80, abaixo, portanto, do atual patamar. De toda forma, incorporando a piora do cenário externo, alteramos nossa expectativa para o câmbio de 2019 de R$/US$ 3,80 para R$/US$ 4,0 e mantivemos a de 2020 em R$/US$ 3,80.

Em relação ao crescimento, a desaceleração global em curso tende a ter um efeito contracionista importante sobre o PIB brasileiro e por isso revisamos a projeção de 2020 para 1,9%, enquanto mantivemos a de 2019 em 0,8%. Quando observamos os dados do trimestre passado, que surpreenderam para cima, notamos os efeitos positivos da política econômica adotada até aqui. A construção civil e os investimentos cresceram mais do que o esperado, respondendo a uma taxa de juros menor, mas os efeitos globais prevalecem, neste momento.

Em nossa avaliação, o resultado do menor crescimento global é o aumento da necessidade de estímulos ao crescimento, através da política monetária e da agenda de privatizações e concessões.

Menos crescimento e juros mais baixos no mundo

A evolução do cenário externo ao longo das últimas semanas aponta para uma desaceleração mais intensa da economia mundial. Essa nova escalada da guerra comercial não foi motivada apenas pelo aumento de tarifas sobre o comércio para ambos os lados. Houve sinais de que também poderia se estender ao mercado de câmbio, após uma desvalorização atípica do yuan e a reação dos EUA, que classificou a China como país manipulador de câmbio, o que poderá levar a sanções adicionais no futuro.

Reduzimos nossa projeção para o crescimento do PIB mundial em 2020 de 3,2% para 2,8%. Esse ambiente ainda pode favorecer o fortalecimento do dólar, em especial porque a economia americana continua apresentando números de crescimento superiores às demais economias desenvolvidas.

Navegar esse ambiente não tem sido fácil para os formuladores de política econômica. A expectativa é de que o Banco Central Europeu expanda seu programa de compra de ativos e reduza a taxa de remuneração de depósitos em setembro.

Nos Estados Unidos não há consenso quanto à condução da política econômica. Há uma probabilidade significativa de corte de 0,5 p.p. na próxima reunião em 19 de setembro e projetamos que, ao todo, a taxa básica será reduzida em mais 1,25 p.p. até o início de 2020, para 1,00%.

o Na China, parece haver dissenso entre as lideranças sobre a condução da política econômica: como equilibrar os estímulos de curto prazo para preservar crescimento e a estabilidade financeira de médio prazo, haja vista o elevado nível de alavancagem da economia.

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* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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