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09/11/2016 12:36 por Redação

Apesar da alta em outubro, inflação em 12 meses deve desacelerar

Atividade econômica enfraquecida vem favorecendo a descompressão da renda nominal

Depec-Bradesco*

O IPCA subiu 0,26% em outubro, de acordo com os dados divulgados nesta manhã pelo IBGE. O resultado ficou ligeiramente abaixo tanto da nossa projeção (0,28%) quanto do consenso do mercado, de acordo com as projeções coletadas pela Bloomberg (0,29%). O resultado de outubro representou aceleração em relação àquele registrado em setembro, quando a alta de preços atingiu 0,08%. A diferença entre o resultado efetivo e as expectativas se concentrou em um recuo mais acentuado dos preços de itens relacionados aos núcleos de inflação – com destaque para bens duráveis, especialmente automóveis. Desse modo, a variação acumulada do IPCA em 12 meses apresentou desaceleração, de 8,48% para 7,87%.

Leia: IPCA acelera para 0,26% em outubro e acumula 7,87% em 12 meses.

Cinco dos nove grupos de preços registraram aceleração no período, com destaque para o grupo de transportes, que passou de uma variação de -0,10% para crescimento de 0,75%. Essa forte aceleração refletiu o considerável aumento dos preços de combustíveis (2,04%). Vale destacar também que os preços de alimentos e bebidas registraram queda menos intensa do que a observada em setembro, passando de deflação de 0,29% para queda de 0,05%. Apesar disso, os preços de alimentos não devem pressionar a inflação nas próximas leituras, uma vez que as coletas de preços têm comportamento moderado no grupo. Em contrapartida, vale destacar a desaceleração dos preços do grupo habitação, que passaram de uma alta de 0,63% para outra de 0,42%.

Os indicadores de inflação subjacente também registraram aceleração em outubro, mas ainda apontam para continuidade do processo desinflacionario nas próximas leituras. O índice de difusão, por exemplo, avançou de 56,8% para 59,0%, mas continuou abaixo da média histórica. O núcleo de inflação por exclusão também acelerou no período, de 0,19% para 0,34%. Na mesma linha, os preços de serviços aceleraram de 0,33% para 0,46%. Na variação em 12 meses, entretanto, os preços de serviços continuam em processo de descompressão, passando de 7,08% em setembro para 6,88% em outubro.

Para novembro, projetamos que o IPCA atinja 0,37%, refletindo preços de alimentos ligeiramente menos favoráveis e a pressão exercida pela adoção da bandeira amarela nas tarifas de energia elétrica. Por outro lado, a queda dos preços de combustíveis anunciada ontem deverá ajudar o índice no mês. Na variação em 12 meses, acreditamos que o índice continuará desacelerando, especialmente por conta da atividade econômica enfraquecida, que vem favorecendo a descompressão da renda nominal observada nas ultimas leituras. Por fim, estimamos que o IPCA encerrará 2016 com alta de 6,8% e 4,7% em 2017.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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