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10/04/2019 15:13 por Redação

Os vetores que garantirão expansão de 6,0% da China neste ano

Fabiana D’Atri*

O ambiente na China, como um todo, está mais favorável para estabilização da economia. O Congresso do Partido Comunista, encerrado há quase um mês, esclareceu a condução da política interna e definiu a estabilização da economia como prioridade. As negociações com os EUA têm avançado de forma concreta, ainda que um acordo mais amplo deva ser concluído em um tempo mais dilatado. A confiança interna vem melhorando, com a expectativa de que estímulos creditícios e fiscais sejam mais direcionados ao setor privado e que os investimentos em infraestrutura ganhem tração. Ainda assim, o ambiente não parece tão bom quanto o de um ano atrás, mas também não tão desafiador como observado no final do ano passado.

Crescer entre 6,0 e 6,5%, conforme meta assumida pelo último Congresso Nacional, ainda deve ser lido como um sucesso na condução das políticas interna e externa. Os desafios para estancar a desaceleração iniciada há um ano são consideráveis; ainda deveremos observar resultados mistos antes de termos respostas mais claras da economia aos estímulos recentes. O segundo trimestre, assim, exigirá analisar os dados efetivos pelo retrovisor e monitorar como os estímulos – creditícios e fiscais – estão avançando. Ao mesmo tempo, os impactos mais permanentes dos ajustes estruturais dos últimos dois anos – com destaque para desalavancagem, fechamento de capacidade instalada e controles ambientais –  e os efeitos da tensão comercial (com aumento das tarifas) seguirão limitando essa retomada cíclica.

Há, sem dúvida, um ajuste em curso das políticas internas, que deverá surtir efeito nos próximos meses. Ao se definir a estabilização da economia como prioridade, alinham-se as políticas nas diversas esferas públicas na China – o que difere do que observávamos no ano passado. O alívio da política monetária começa a se refletir na expansão de crédito nos dois primeiros meses de 2019. As condições que foram permitidas aos governos locais, com avanço da emissão de títulos, devem acelerar os investimentos em infraestrutura, já em recuperação.  Por fim, não podemos esquecer os estímulos fiscais (iniciados meses atrás, mas intensificados recentemente), com importante corte de impostos para famílias e, principalmente, empresas.

Fazendo uma simples contabilidade do crescimento, o risco de frustração de um cenário de expansão entre 6,0 e 6,5% segue pequeno. As exportações devem cair aproximadamente 10%, enquanto o setor imobiliário pode retirar até 1 p.p. do PIB (no horizonte de 1 a 2 anos). Por sua vez, investimentos em infraestrutura podem compensar parte desses vetores baixistas, avançando 15%, e o consumo das famílias tende a mostrar discreta melhora, em resposta à recuperação da confiança e aos cortes de impostos. O setor industrial deve ser o fiel da balança, ampliando os investimentos se as tensões com EUA diminuírem e se, de fato, tiver acesso ao crédito (não apenas para se refinanciar).

A avaliação final é a de que governo, empresas e meio acadêmico têm atualmente uma lucidez maior em relação aos desafios estruturais e às lições dos últimos dez anos. Isso implica dizer que as políticas de curto prazo continuarão sendo balanceadas pelos objetivos de longo prazo (redução de riscos financeiros, redução da pobreza e controle ambiental). Assim, não devemos esperar crescimento muito forte e a política econômica continuará sendo ajustada conforme a necessidade. Sabe-se, portanto, que diante do maior controle da alavancagem, o crescimento será menor daqui para frente. A dissipação das tensões com EUA ainda é decisiva para retomada da confiança interna. Contudo, incertezas relacionadas ao timing da negociação, ao escopo de concessões dos EUA e da China e aos compromissos a serem assumidos pela China são consideráveis.

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* Fabiana D’Atri é economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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