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DOCES E SALGADOS

10/10/2019 12:31 por Redação

EUA não vão mais apoiar entrada do Brasil na OCDE, diz a Bloomberg

Endosso à candidatura havia sido anunciado por Trump durante visita de Bolsonaro; Casa Branca vai apoiar as adesões da Argentina e da Romênia

 O governo dos Estados Unidos desistiu de endossar a tentativa do Brasil de ingressar na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade de países ricos sediada em Paris), depois de meses de apoio público de autoridades norte-americanas à pretensão do governo de Jair Bolsonaro.

Segundo a Bloomberg, o secretário de Estado, Mike Pompeo, rejeitou um pedido para discutir mais adesões à OCDE, e acrescentou que Washington apoia apenas as candidaturas da Argentina e da Romênia.

O posicionamento de Pompeo, expresso em carta enviada em 28 de agosto ao secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, contradiz a posição pública dos EUA sobre o assunto. Em março, o presidente Donald Trump disse em entrevista coletiva conjunta com o presidente Bolsonaro, na Casa Branca, que apoiava o Brasil na adesão ao grupo de 36 membros. Em julho, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, reiterou o apoio de Washington ao Brasil durante uma visita a São Paulo.

De acordo com um alto funcionário dos EUA, que pediu à Bloomberg News para não ser identificado, a Casa Branca apoia a ampliação da OCDE e um eventual convite para o Brasil, mas está trabalhando primeiro para a Argentina e a Romênia, “considerando os esforços de reforma econômica e o compromisso com o livre mercado desses países”.

O endosso dos EUA à candidatura brasileira, no início deste ano, foi um dos primeiros benefícios claros advindos do estreito alinhamento de Bolsonaro com o governo Trump, assinala a agência de notícias americana.

“Durante a viagem de Bolsonaro a Washington, o Brasil ofereceu aos EUA acesso à plataforma de lançamento de foguetes de Alcântara, no nordeste do país, viagens sem visto para turistas americanos e cooperação na questão da Venezuela. Trump, em troca, cumpriu seu compromisso de designar o Brasil como um grande aliado não pertencente à OTAN. Os críticos do acordo questionaram se o apoio dos EUA se materializaria”, observa a reportagem da Bloomberg. Leia mais aqui (em inglês).

O Brasil apresentou seu pedido de adesão à OCDE em maio de 2017. A candidatura se tornou um dos objetos de desejo do governo Bolsonaro, e foi incensada especialmente pelo miinistro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

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