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11/01/2017 10:57 por Redação

Alimentação fora de casa contribuiu para variação menor do IPCA em dezembro

Inflação de 0,30% ficou abaixo do esperado; em janeiro, reajustes de telefonia e transporte público voltarão a pressionar o índice

Depec-Bradesco*
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O IPCA subiu 0,30% em dezembro, de acordo com os dados divulgados hoje pelo IBGE. O resultado foi inferior à nossa projeção e à mediana das expectativas do mercado, ambas de 0,34%, segundo coleta da Bloomberg. Em relação ao nosso número, a surpresa baixista se concentrou nas menores elevações dos preços de alimentação fora do domicílio e de vestuário. Com o resultado de dezembro, o indicador acumulou alta de 6,29% em 2016, inferior ao teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 6,50%. Além disso, houve desaceleração importante em relação ao avanço de 10,67% no ano anterior, movimento que deverá continuar ao longo de 2017, sendo que para o final deste ano projetamos variação do índice de 4,5%.

A aceleração em relação a novembro, quando o IPCA registrou alta de 0,18%, foi impulsionada por cinco de seus nove grupos. Merece destaque o item alimentação e bebidas, que passou de uma deflação de 0,20% para uma alta de 0,08% entre novembro e dezembro. Além disso, os preços de transportes oscilaram de uma elevação de 0,28% para outra de 1,11% nesse mesmo intervalo de tempo, influenciados pela avanço dos preços de combustíveis. Apesar da aceleração do índice cheio, é importante destacar que o resultado foi bastante inferior ao sugerido pela sazonalidade do período.

Os indicadores de inflação subjacecente também mostraram maiores altas em dezembro, mas registraram novas desacelerações no acumulado em doze meses, fortalecendo nossa expectativa de continuidade do processo desinflacionário em 2017. Os preços de serviços, por exemplo, subiram 0,65%, ante alta de 0,42% no mês anterior, e acumularam elevação de 6,50% em 2016, inferior ao avanço de 6,99% acumulado nos doze meses até novembro. Já os preços de serviços subjacentes apresentaram variação de 0,34% em dezembro, ante expansão de 0,44% observada em novembro, acumulando alta de 6,21% no ano passado. O índice de difusão, por sua vez, subiu de 57,1% para 59,8% na margem, mas manteve-se abaixo da média histórica. Por fim, a média dos núcleos por exclusão acelerou de 0,35% para 0,40% entre novembro e dezembro, encerrando 2016 com alta de 5,77%.

Para janeiro, acreditamos que o IPCA deverá mostrar alta de 0,61%, diante dos reajustes das tarifas de telefonia e de transporte público, mas seguirá inferior à sazonalidade do mês. Como dito anteriormente, na variação em doze meses esperamos que, especialmente por conta da atividade econômica enfraquecida, o índice continue desacelerando, o que deverá contribuir para o aumento do ritmo de corte da taxa de juros. 

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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