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DOCES E SALGADOS

11/01/2018 11:25 por Redação

Custos industriais sobem por causa de despesas com impostos, energia e pessoal

Indicador da CNI mostra que margem de lucro das empresas diminuiu no 3º tri de 2017 e que a indústria brasileira continua perdendo competitividade

Os custos industriais no Brasil cresceram 0,4% no terceiro trimestre de 2017, em relação ao trimestre anterior, com ajuste sazonal. A leve alta foi puxada pelo aumento nos custos com tributos, energia e pessoal. No mesmo período, os preços dos produtos industrializados tiveram uma redução de 0,8%. Com os custos em alta e os preços em queda, a margem de lucro das empresas diminuiu. 

As informações são da Confederação Nacional da Indústria.

De acordo com o Indicador de Custos Industriais, o custo tributário aumentou 2,9%, o de energia subiu 2,5% e o de pessoal teve alta de 1,8% no terceiro trimestre do ano passado, frente ao segundo trimestre.

A elevação do índice de custo tributário, observa a CNI, indica que as empresas começaram a pagar as dívidas tributárias contraídas durante a crise econômica. "A quitação das dívidas tributárias foi favorecida pela recuperação da economia e pelas adesões ao Programa de Regularização Tributária, conhecido como novo Refis", diz o estudo.

O indicador de custo tributário é estimado com base no custo efetivo, ou seja, o total efetivamente pago pela indústria dividido pelo produto industrial. Com a crise econômica, algumas empresas não conseguiram pagar os tributos devidos, o que resultou em um movimento descendente do indicador.

Juros mais baixos - O impacto dos aumentos foi minimizado pela queda de 5,4% no custo com capital de giro e na redução de 0,6% nos custos com bens intermediários. A retração dos custos com capital de giro é resultado dos sucessivos cortes na taxa básica de juros da economia.

"A redução do custo com intermediários deve-se, sobretudo, à valorização do real, que reduz o preço dos insumos adquiridos em dólar de outros países. Além disso, a baixa demanda e a competição entre as empresas vêm contendo o aumento dos preços dos intermediários fabricados no Brasil", afirma o gerente-executivo de Pesquisas da CNI, Renato da Fonseca.  

Competitividade - O indicador mostra que, no terceiro trimestre de 2017, a indústria perdeu para a concorrência, com os custos da indústria crescendo acima dos preços internacionais. Enquanto o custo industrial subiu 0,4%, os preços em reais dos manufaturados importados caíram 2,5%. No mercado externo, os preços dos produtos industrializados nos Estados Unidos, em reais, tiveram uma queda de 1%, indicando perda da competitividade das exportações da indústria brasileira.

“Para aumentar a competitividade da indústria brasileira é preciso, em primeiro lugar, garantir a estabilidade macroeconômica, com controle da dívida pública, inflação na meta e taxas de juros baixas", diz Renato da Fonseca. Com isso, acrescenta ele, as empresas e o governo têm margem e segurança para ampliar investimentos em áreas que aumentam a produtividade, como infraestrutura, educação e inovação. "A melhoria do ambiente de negócios, com redução da burocracia e aumento da segurança jurídica, também traria impactos positivos nos investimentos e ganhos de competitividade”.

Veja o relatório do Indicador de Custos Industriais aqui.

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