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11/03/2020 12:50 por Redação

Epidemia de coronavírus torna mais imprecisas as projeções para 2020

Choque vindo do surto nos levou a ajustar PIB mundial para baixo

Depec-Bradesco*

A epidemia de coronavírus (Covid-19) torna mais incertas as projeções para 2020. A reação dos mercados tem sido intensa;  a China está retomando muito lentamente de sua paralisação e há alguns relatos de interrupções em cadeias de fornecimento. Tudo isso tem levado a uma piora nas projeções para o crescimento.Esse quadro, obviamente, afeta o Brasil. A incorporação de informações recentes externas e domésticas nos levou a revisar a projeção de PIB doméstico deste ano, de 2,5% para 2,0%.

Avaliamos que com a dissipação dos choques atuais, haverá espaço para alguma apreciação do real. Contudo, a frustração com o crescimento e o movimento de realocação de recursos limitam esse espaço. Trabalhamos agora com uma taxa de câmbio de R$ 4,30/US$ no final do ano.

Após o choque do coronavírus e a reação do FED, o Copom praticamente decretou novo corte de juros se não houver mudança relevante do cenário nas próximas duas semanas.Por isso, reavaliamos nossa expectativa de Selic para 3,75%, mas muito dependente do comportamento do câmbio e dos preços de ativos nos próximos meses.

A inflação será produto de todo esse cenário. Por ora, revisamos nossa projeção de IPCA de 2020 de 3,6% para 3,3%.A nossa percepção, de baixo contágio, tem se confirmado, refletindo a elevada ociosidade na economia e expectativas bem ancoradas.

Choque vindo do surto do coronavírus nos levou a ajustar PIB mundial para baixo

Nossa revisão para o crescimento do PIB global foi de 2,9% para 2,6%.

Há três elementos determinantes para o cenário, todos com viés baixista para a atividade global: a China, seus canais de contágio e a reação própria de cada país. Primeiramente, devemos tratar do já ocorrido na economia chinesa, que representa algo próximo a 20% do PIB mundial e cujo governo decidiu paralisar as atividades – como prevenção ao espalhamento do vírus –, cuja retomada tem sido lenta.

Diante disso, dois efeitos globais já estão em curso: interrupção do fornecimento de produtos para algumas cadeias produtivas (especialmente automotivo e eletrônicos) e o recuo da demanda.

A reação das demais economias ainda parece muito incerta. Até agora não observamos paralisação de mesma intensidade além da China e parcialmente na Itália.Mas as notícias são de fechamento parcial de fábricas e cancelamento de eventos e voos, entre outros.

Nesses momentos de elevada incerteza e significativa reação, devemos monitorar atentamente diversas variáveis, dentre elas destacamos: a velocidade de retomada da atividade econômica na China, a evolução dos casos diagnosticados e de mortes pelo mundo e a reação das pessoas, das empresas e dos governos. A cautela e a precaução têm prevalecido, o que aumenta o risco baixista para a economia.

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* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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