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11/06/2019 07:59 por Advillage

Em editoriais, Estadão e Folha sobem o tom ao tratar do episódio Moro-Dallagnol

O primeiro sugere explicitamente a renúncia do ministro; dos três grandes jornais, a opinião de O Globo é a mais branda

Após uma cobertura tímida do escândalo das mensagens trocadas entre o então juiz federal Sérgio Moro e procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato em Curitiba – em especial Deltan Dallagnol –, reveladas no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil, o jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta terça-feira (11) o mais incisivo editorial sobre o episódio.

Em comum, os três principais diários brasileiros atacam a fonte das informações do Intercept, atribuindo-as a ação criminosa de hackeamento.

O Estadão foi o único a sugerir explicitamente a renúncia do atual ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Sob o título “Muito a esclarecer”, o jornal observa que as conversas se deram por meio do aplicativo de celular Telegram, entre 2015 e 2018. “São, portanto, mensagens de caráter privado, e sua interceptação, sem mandado judicial, é criminosa, razão pela qual são inválidas como prova num eventual juízo e, em princípio, não podem ser aceitas como evidência de vício em decisões judiciais tomadas no âmbito da Lava Jato”.

“No entanto”, continua o texto, “presume-se que os efeitos políticos da divulgação dessas conversas serão graves. Não é possível ficar indiferente à suspeita, levantada pelas mensagens, de que o então juiz Sergio Moro pode ter dado orientações ao procurador Deltan Dallagnol, responsável pela Lava Jato, em casos relativos à operação”.

“Se as mensagens forem verdadeiras, indicam uma relação totalmente inadequada – e talvez ilegal – entre o magistrado e os procuradores da República, com implicações políticas e jurídicas ainda difíceis de mensurar. Por muito menos, outros ministros já foram demitidos”.

E arremata: “Fariam bem o ministro e os procuradores envolvidos nesse escândalo, o primeiro, se renunciasse e, os outros, se se afastassem da força-tarefa, até que tudo se elucidasse”.

Folha

A Folha de S. Paulo adota um tom menos incisivo. “Não haveria nada de relevante a tornar público, nesse caso, se juiz e procuradores tivessem se mantido sempre dentro dos respectivos protocolos. Juiz julga. Comunica-se com as partes, como são o Ministério Público para a acusação e os advogados para a defesa, apenas nos atos formais previstos na lei”, escreve o jornal em seu editorial de hoje.

“A Lava Jato tem uma obra invejável a defender. Quebrou paradigmas de impunidade em elites empresariais e políticas que se lançaram numa corrida desleal e corrupta por privilégios, poder e negócios. Mas, com alguma frequência, foi flagrada também a praticar heterodoxias processuais e a patrocinar invectivas que ameaçam direitos fundamentais de quem é perseguido por um braço do Estado”, desenvolve. “Nesse período, o cacoete de extrapolar papéis constitucionais, em nome do combate ao crime, também se manifestou em autoridades na Procuradoria-Geral da República e no Supremo Tribunal Federal”.

E encerra: “Não é forçando limites da lei que se debela a corrupção. Quando o devido processo não é estritamente seguido, só a delinquência vence”.

O Globo

O jornal carioca procura preservar Sérgio Moro, os procuradores e a Lava Jato. "O site [The Intercept] sugere que frases dispersas apontam para o conluio entre o magistrado e Dallagnol. A defesa de Lula e de qualquer outro tem, é claro, direito de protestar e recorrer pelas vias apropriadas. Mas não se pode menosprezar o fato de que os processos da Lava-Jato, em que se destacam políticos e grandes empreiteiros, como Marcelo Odebrecht, têm sólida fundamentação em provas".

O texto segue: "Se o juiz e o promotor quebraram alguma norma, reclamações devem também ser encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho do Ministério Público (CNMP). Em ambos, pedidos de investigação já foram apresentados.

E relativiza: “Sabe-se que é natural o convívio entre procuradores e juízes. E a constituição de forças-tarefas (entre MP, polícia e Justiça) é de comprovada eficácia. O próprio site que divulga os diálogos consultou juristas que “disseram que a proximidade entre procuradores e juízes é normal no Brasil — ainda que seja imoral e viole o código de ética dos magistrados”. diz o editorial.

Que conclui: “Os diálogos, por óbvio, reativam paixões políticas, o que costuma embaralhar o raciocínio. Nessa hora, deve-se ter a frieza necessária para esperar que tudo seja esclarecido”.

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