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12/02/2020 07:46 por Advillage

Ex-funcionário de empresa de disparo em massa mentiu à CPMI das Fake News, diz jornal

Ao depor sobre notícias falsas nas eleições de 2018, Hans River do Nascimento faz grave ofensa a repórter da Folha

Ao prestar depoimento nesta terça-feira (11) à CPMI das Fake News, no Congresso, um ex-funcionário de uma empresa que teria feito disparos em massa pelo WhatsApp durante a campanha eleitoral de 2018 mentiu e ofendeu uma jornalista da Folha, segundo o próprio jornal.

Hans River do Rio Nascimento foi convocado pelo deputado Rui Falcão (PT-SP) para depor na comissão de deputados e senadores que investiga a disseminação de notícias falas na eleição. River era funcionário da Yacows, uma das empresas acusadas de operar disparos em massa em favor de campanhas políticas em 2018. River trabalhou na empresa durante aquele ano e depois iniciou um processo trabalhista contra ela, reivindicando o pagamento de salários e horas extras.

Especializada em marketing digital, a Yacows prestou serviços a vários políticos e foi subcontratada pela AM4, produtora que trabalhou para a campanha de Jair Bolsonaro.

De acordo com River, para enviar as mensagens em massa a empresa mantinha um cadastro de nomes e CPFs que usava para registrar chips de celular. Ele afirmou não saber como esses dados eram obtidos, mas disse acreditar que os indivíduos listados não haviam concedido autorização para esse uso.

Os chips, após serem testados, eram instalados em celulares e sincronizados a contas de WhatsApp criadas para enviar mensagens de propaganda. Cada CPF pode cadastrar mais de um chip, dependendo da operadora, o que multiplica o tamanho do cadastro.

"Mudei de ideia"

Segundo a Folha, parte do que foi dito à CPI consta de reportagens que o jornal fez desde o final de 2018, em que o próprio Hans River foi ouvido em conversas gravadas. No final de novembro daquele ano, o ex-funcionário da Yacows teria mudado de ideia após fazer acordo com a antiga empregadora. "Pensei melhor, estou pedindo pra você retirar tudo que falei até agora, não contem mais comigo", disse na época, em mensagem de texto. Três dias antes, a Folha havia procurado a Yacows para solicitar esclarecimentos.

No depoimento de ontem, Hans River procurou desqualificar a cobertura do jornal e chegou a afirmar que a repórter Patricia Campos Mello se insinuou sexualmente para tentar obter informações. “Quando eu cheguei na Folha de S. Paulo, quando ela [repórter] escutou a negativa, o distrato que eu dei e deixei claro que não fazia parte do meu interesse, a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção, que a minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro, entendeu?", disse Hans à comissão.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, aproveitou a fala de Hans para difundir ofensas e fazer insinuações contra a repórter da Folha, tanto no Congresso como em suas redes sociais. "Eu não duvido que a senhora Patrícia Campos Mello possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, é o que a Dilma Rousseff falava: fazer o diabo pelo poder", afirmou Eduardo.

A relatora da CPI, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), viu incoerências e falhas no depoimento de Hans, como o fato de ele não se lembrar do período em que trabalhou na Yacows e a afirmação de que teria trabalhado na campanha do deputado Rui Falcão (PT-SP). “Depois, fez ataques inaceitáveis à jornalista Patrícia, e de baixo nível, que eu fui obrigada a interferir porque não posso aceitar esse tipo de tratamento no que diz respeito às mulheres”, criticou a deputada.

O jornal divulgou nota: “A Folha repudia as mentiras e os insultos direcionados à jornalista Patrícia Campos Mello na chamada CPMI das Fake News. O jornal está publicando documentos que mais uma vez comprovam a correção das reportagens sobre o uso ilegal de disparos de redes sociais na campanha de 2018. Causam estupefação, ainda, o Congresso Nacional servir de palco ao baixo nível e as insinuações ultrajantes do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)." ?

O Código Penal estabelece que fazer afirmação falsa como testemunha em processo judicial ou inquérito é crime, com pena prevista de dois a quatro anos de reclusão, além de multa. Na condição de testemunha, Hans se comprometeu em falar a verdade à comissão. O regimento do Senado diz que a inquirição de testemunhas em CPIs segue o estabelecido na legislação processual penal.

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