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12/04/2017 10:57 por Redação

Números do varejo não mudam expectativa de alta 0,3% do PIB no 1º trimestre

Vendas reais do comércio recuaram 0,2% entre janeiro e fevereiro; crescimento da economia será puxado pela agricultura

Depec-Bradesco*

Os últimos dados de vendas do varejo trouxeram importante revisão das séries históricas, diante da mudança metodológica da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) a partir deste ano. Assim, os resultados de janeiro apresentaram forte elevação na margem, ao contrário da queda mostrada em sua primeira divulgação. Acreditamos que as alterações não impactarão o resultado do PIB do primeiro trimestre. Assim, mantemos nossa projeção de alta de 0,3% do PIB no período, fortemente influenciado pelo setor agrícola. As estimativas da safra atual divulgadas ontem pelo IBGE e pela Conab corroboram tal cenário.

As vendas reais do comércio varejista restrito recuaram 0,2% entre janeiro e fevereiro, descontados os efeitos sazonais, de acordo com a PMC divulgada hoje pelo IBGE. O resultado foi inferior à nossa projeção e à mediana das expectativas do mercado, de altas de 0,2% e de 0,4%, respectivamente, segundo coleta realizada pela Bloomberg. A surpresa foi explicada, pelo menos em parte, pela mudança metodológica da pesquisa. O dado de janeiro deste ano, por exemplo, foi revisto de uma queda de 0,7% na margem para uma alta de 5,5%. Na comparação interanual, as vendas caíram 3,2% e acumulam queda de 5,4% nos últimos doze meses. A revisão metodológica consistiu no aumento da amostra das empresas pesquisadas, na mudança do ano base da pesquisa de 2011 para 2014 e na adoção de novas ponderações para as empresas, para que passem a representar a Pesquisa Anual de Comércio de 2014.

Leia: Vendas no varejo brasileiro recuaram 0,2% entre janeiro e fevereiro, aponta IBGE.

Setorialmente, cinco dos oito segmentos pesquisados apresentaram desempenho negativo na margem em fevereiro. A queda mais intensa foi observada em outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,8%), que mantiveram sua trajetória baixista observada nos últimos meses. Também merece destaque o declínio de 0,5% das vendas de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, categoria que corresponde por aproximadamente 50% das vendas totais. No mês anterior, com a revisão metodológica da PMC, esse segmento subiu 8,1% (ante alta de 0,8% na divulgação anterior), sendo responsável pela forte elevação do resultado total em janeiro. No sentido contrário, móveis e eletrodomésticos subiram 3,8% na margem, mostrando sua segunda alta consecutiva.

Em contrapartida, o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que também contempla os segmentos de veículos e materiais de construção, avançou 1,4% na margem, na série dessazonalizada. Tal elevação refletiu principalmente a relativa estabilidade das vendas de veículos e motos, partes e peças, que registraram modesto crescimento de 0,1%. Já material de construção caiu 1,3% no período. Em relação a fevereiro do ano passado, a atividade do o comércio ampliado recuou 4,2%.

Seguimos esperando crescimento de 0,3% do PIB no primeiro trimestre, diante da expansão da atividade agrícola no período. Por fim, os dados da receita de serviços de fevereiro, a serem divulgados amanhã na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), deverão mostrar alguma devolução da forte queda registrada em janeiro.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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