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DOCES E SALGADOS

13/08/2019 09:27 por Redação

Ativos da Argentina derretem em Wall Street após derrota de Macri

Títulos argentinos caíram 25%, e as ações das empresas do país, 50%; sensação é de que vantagem da centro-esquerda não será revertida

Os ativos da Argentina derreteram em Wall Street nesta segunda-feira (12), após a derrota do presidente Mauricio Macri, de direita liberal, nas eleições primárias realizadas no domingi (11). O resultado joga uma imensa sombra em suas pretensões de se reeleger em outubro. O peronista de centro-esquerda Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice em sua chapa, venceu Macri por uma ampla margem de 15 pontos percentuais - 47% a 32%.

Leia: Candidato peronista abre grande vantagem sobre Macri em primárias argentinas.

Na Bolsa de Nova York, os títulos argentinos caíram cerca de 25%, e as ações das empresas do país, mais de 50%, anota a AFP. "O mercado agora está assumindo que Macri perderá no primeiro turno", disse à agência Jorge Piedrahita, presidente-executivo da Gear Capital Partners, consultoria com sede em Nova York. “A reação do mercado foi brutal, já que os resultados foram totalmente inesperados".

Os títulos do país em dólares caíram 25%, em média, a 55 centavos por dólar, informou a Bloomberg. A Bolsa de Buenos Aires recuou 37,93% e o peso argentino se desvalorizou 18,76% ante o dólar. A queda do peso afetou no recuou de 0,84% do peso mexicano e na valorização de 1,1% do dólar no Brasil. A Bovespa caiu 1,98%, e a Bolsa do México, 1,41%.

As ADRs de empresas argentinas em Wall Street registraram vendas sem precedentes. Os mais afetados foram os bancos, diante das preocupações dos investidores com a saúde do sistema bancário local, explicou Piedrahita, que antecipou um possível congelamento de depósitos bancários nos próximos dias, ou semanas.

"Alguns ADRs caíram de 20% para mais de 50%. Os títulos caíram muito também", explicou à AFP Tiago Severo, economista sênior para a América Latina no Goldman Sachs. Para ele, a sensação geral é que Macri não vai conseguir superar essa distância da chapa opositora Fernández-Kirchner.

O banco de investimentos JP Morgan alertou que os resultados de domingo colocam em xeque a continuidade da política de austeridade de Macri e até sugerem que a oposição terá maioria no Congresso em outubro.

Austeridade

Eleito presidente em novembro de 2015, Macri implementa um rigoroso ajuste fiscal no âmbito de reformas econômicas acordadas no ano passado com o Fundo Monetário Internacional, em troca de um empréstimo recorde de mais de US$ 56 bilhões para enfrentar uma corrida cambial em abril de 2018 que fez a inflação disparar e levou à atual crise econômica.

A economia argentina, terceira maior da América Latina depois do Brasil e do México, retraiu-se 2,5% em 2018, segundo o FMI. Para este ano, o Fundo prevê uma queda de 1,3% do PIB. No primeiro semestre, a inflação foi de 22%, uma das mais altas do mundo, enquanto 32% dos 44 milhões de habitantes foram declarados em situação de pobreza.

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