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DOCES E SALGADOS

13/09/2019 08:25 por Redação

Indicado para representar Brasil na ONU acusa Europa de 'temer agronegócio'

Em sabatina na CRE do Senado, Ronaldo Costa Filho também relativizou os dados sobre o desmatamento na Amazônia

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado aprovou nesta quinta-feira (12) a indicação do diplomata Ronaldo Costa Filho para a chefia da representação brasileira junto à Organização das Nações Unidas em Nova York. Ele foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, em abril, para o lugar de Mauro Vieira, que já foi ministro das Relações Exteriores (governo Dilma) e é chefe da missão brasileira na ONU desde 2016.

O Brasil tem outra representação permanente junto à ONU, mas em Genebra. Desde 2008 a missão na Suíça é chefiada pela embaixadora Maria Nazareth Farani de Azevêdo.

Durante a sabatina, Costa Filho foi indagado pelos senadores Fernando Collor (Pros-AL) e Chico Rodrigues (DEM-RR) sobre a má repercussão das recentes queimadas na Amazônia, e como nosso país deve lidar na gestão desta crise junto à ONU, responsável pelo Acordo de Paris e muitos outros acordos ambientais. Dele se mostrou alinhado às posições do governo:

“Não há nenhum dado sério indicando que o que ocorreu este ano esteja fora de um padrão recorrente. Estes números sobem ou caem, mas se você analisa em longo prazo, fica claro que o desmatamento vem diminuindo. As queimadas foram mais intensas agora, mas é bom lembrar que na África e na Rússia também ocorreram em magnitude até maior. Estas queimadas são causa ou consequência do aquecimento global? — questionou.

Críticas à Europa

Costa Filho chefiou a delegação brasileira de 2011 a 2018 no acordo Mercosul-União Europeia. O diplomata disse que todas as vezes em que as negociações avançavam, surgiam crises e denúncias relacionadas à devastação ambiental no Brasil.

“Isso é uma reação natural, porque ninguém gosta de concorrência. Os europeus temem o grande vigor de nosso agronegócio. Era sempre a mesma coisa, as negociações avançavam e éramos inundados de denúncias na mídia e outros âmbitos. Sempre optamos por ignorar, mas dessa vez não deu, porque se deu ao nível de chefia de Estado. Mas meu papel agora é serenar os ânimos, a crise não é intransponível. A ONU será o fórum onde apresentaremos documentação oficial e buscaremos parcerias. Tudo é motivado pela economia. Se o meio ambiente fosse de fato a prioridade dos críticos, porque há 40 anos bloqueiam o etanol como fonte de combustível? Porque neste caso o ganho não está lá, está aqui”, disse.

Brasil devedor

Os senadores também perguntaram sobre a grande dívida que o Brasil acumula junto à ONU. Costa Filho confirmou que o problema é sério, pois a dívida já atingiu US$ 433 milhões. Convertido para o real, estamos devendo quase R$ 2 bilhões. O diplomata alertou que se o Brasil não pagar pelo menos U$ 150 milhões em 2019, perderá o direito de voto nas decisões da ONU. “Precisamos honrar ou perderemos o direito de deliberar já em 2020. Peço abertamente socorro ao Congresso Nacional para que atente a isto e destine verba orçamentária para que cumpramos nossa obrigação”.

Conselho Permanente de Segurança

Collor também indagou sobre os esforços do G4 (formado por Brasil, Alemanha, Japão e Índia) para que a ONU reforme seu Conselho Permanente de Segurança. Este Conselho é formado desde 1945 por EUA, Rússia, China, França e Grã-Bretanha, e cada um desses países tem poder de veto em qualquer deliberação. Os países do G4 pleiteiam ocupar vagas num conselho reformado, mas Costa Filho disse não criar expectativas nesse sentido.

A indicação de Costa Filho segue agora para votação no Plenário do Senado.

Com Agência Senado

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