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DOCES E SALGADOS

14/03/2017 07:08 por Redação

Justiça Federal em SP suspende cobrança extra no despacho de bagagens

Para juiz, nova regra da Anac deixa o consumidor

BAGAGEM
O juiz federal José Henrique Prescendo, da 22ª Vara Federal Cível em São Paulo, concedeu liminar nesta segunda-feira (13) suspendendo a vigência de dois artigos da Resolução 400/2016 da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que entrariam em vigor hoje. Um dos artigos dispõe sobre o transporte de bagagem despachada, que passa a configurar um contrato acessório oferecido pelo transportador, sendo cobrado por isso um valor em separado. O outro artigo afirma que será permitido até 10 quilos de bagagem de mão por passageiro, mas que poderá ser restringido pelo transportador por motivo de segurança ou capacidade da aeronave.

“A necessidade de apreciação da tutela de urgência (liminar) o encontra-se presente considerando-se que a resolução questionada passará a produzir efeitos concretos a partir de amanhã [hoje], quando os passageiros já estarão sujeitos ao pagamento de taxa de despacho de suas bagagens, cuja restituição, em caso de procedência do pedido, será muito demorada e eventualmente não compensará a execução individual da sentença, não obstante a grande quantidade de passagens aéreas que são vendidas diariamente, para milhares de passageiros das mais diversas localidades”, explica o juiz.

O magistrado acrescenta que é “dever da Anac regulamentar e assegurar aos consumidores de passagens aéreas, um mínimo de direitos em face das companhias aéreas, o que não ocorre no caso dos dispositivos ora questionados [...], que deixam o consumidor inteiramente ao arbítrio e ao eventual abuso econômico por parte daquelas empresas, vez que permite a elas cobrarem quanto querem pela passagem aérea e, agora, também pela bagagem despachada”.

Sobre a ampliação da franquia da bagagem de mão de 5 para 10 quilos, a sentença diz que ela ‘não representa uma garantia para o consumidor, uma vez que esta franquia pode ser restringida pelo transportador, fundamentado na segurança do voo ou da capacidade da aeronave, sem que tenham sido previstos critérios objetivos que impeçam a utilização dessa restrição de forma abusiva”.

Por fim, o juiz escreve que qualquer alteração dessa magnitude “deve ser amplamente discutida na sociedade através de novas audiências públicas, com a participação dos interessados (empresas aéreas, Anac, instituições de defesa do consumidor e o Ministério Público Federal), possibilitando, eventualmente, um termo de ajustamento de conduta que seja satisfatório para todos”.

Nos últimos dias,  as principais companhias aéreas divulgaram  comunicados informando quais procedimentos iriam adotar em relação ao fim da obrigatoriedade de franquia no despacho de bagagens.

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