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14/08/2019 14:15 por Redação

Choques recentes sobre a economia brasileira e reação ótima de política monetária

Brasil tem apresentado um avanço considerável nas reformas macro e microeconômicas

Igor Velecico*

As sucessivas decepções com o crescimento desde 2017 chamam muito a atenção, apesar de o Brasil estar implementando uma extensa agenda de reformas. Após a recessão de 2015-2016, o PIB cresceu 1% em 2017 e 2018, e muito provavelmente veremos uma desaceleração em 2019. Como o crescimento populacional situa-se próximo de 1%, temos uma situação de crescimento per capita zero após a recessão.

Ao mesmo tempo, vimos no Brasil um avanço considerável das reformas macro e microeconômicas. Uma lista não exaustiva daquelas já implementadas inclui: redução da meta de inflação para 3,5%; implementação do teto de gastos públicos; criação da TLP; reforma trabalhista; lei da terceirização; uso do fundo soberano para abater dívida; criação do Regime de Recuperação Fiscal dos Estados; mudança na orientação de bancos públicos (incluindo BNDES), dentre outros.

Esse contraste entre agenda econômica na direção correta versus resultados de crescimento abaixo do esperado levanta o questionamento de quanto dessa decepção é estrutural, e decorre da má alocação de capital na economia nos últimos anos, e quanto é em parte conjuntural. Para responder a essa pergunta, recorremos a um exercício simples: excluir os efeitos diretos de fatores exógenos que impactaram a atividade nos últimos três anos. A conclusão é que diversos choques negativos têm impactado a economia nos últimos dois anos.

Há um elemento importante em comum nesses choques mais recentes: são, até aqui, deflacionários. A política fiscal é, no curto prazo, contracionista e, portanto, deflacionária. A escalada das tensões comerciais resulta em menor crescimento global, queda dos preços de commodities e alguma depreciação da moeda dos países emergentes. Por enquanto, o resultado líquido dessa combinação tem sido baixista para a inflação – os preços externos em reais têm caído.

O fato de os choques serem deflacionários é importante porque permite a utilização do instrumento dos juros para impulsionar o crescimento econômico. O objetivo primordial da política monetária é manter a inflação na meta, levando em consideração que deve reagir apenas na medida dos efeitos secundários do choque sobre a inflação prospectiva. Se há ociosidade relevante na economia, a inflação tende a ficar abaixo do centro da meta, e o BC calibra os juros para estimular a atividade econômica até o ponto em que a inflação volte para o centro da meta. Se, durante esse processo, ocorrem novos choques que contraem a demanda externa e/ou interna, e que tendem a jogar a inflação ainda mais para baixo, é absolutamente natural e esperado que a autoridade monetária reaja, estimulando mais o crescimento via queda de juros.

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* Igor Velecico é economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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