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DOCES E SALGADOS

15/05/2019 07:37 por Redação

Com intensa mobilização na internet, atos pela educação devem tomar as ruas em todo o país

Estudantes e professores estão na linha de frente das manifestações contra o severo bloqueio de verbas anunciado pelo MEC

Tiveram início, na manhã desta quarta-feira (15), as manifestações contra o bloqueio de verbas anunciado pelo Ministério da Educação. Por volta das 7h, estudantes, professores e apoiadores do movimento já estavam nas ruas de capitais como São Paulo, Fortaleza e Belo Horizonte. Em diversas cidades, escolas públicas e particulares não iniciaram suas atividades. Além da mobilização nas ruas, várias universidades públicas deverão paralisar as atividades ao longo de todo o dia. Na capital paulista, escolas da rede particular aderiram ao movimento.

A convocação de atos no Dia Nacional de Greve na Educação vem movimentando as redes sociais nas últimas semanas, mas ocorre também em espaços tradicionais de mobilização, como sindicatos, associações de classe e assembleias estudantis. Veja o roteiro das manifestações em diversas localidades aqui.

Nesta quarta-feira, véspera da paralisação, parlamentares da base do governo fizeram circular a informação de que Bolsonaro teria telefonado ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, determinando que a pasta voltasse atrás no corte de cerca de 30% nos orçamentos das universidades. Segundo o Correio Braziliense, a versão foi confirmada pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e repetida até mesmo pelo líder do partido na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO).

Pouco depois, no entanto, tanto os ministérios da Educação e da Economia quanto a Casa Civil desmentiram, por meio de notas, o que os parlamentares diziam. "Não procede a informação de que haverá cancelamento do contingenciamento no MEC".

O contingenciamento

Em março, o MEC publicou um decreto de programação orçamentária que estabelecia o contingenciamento de R$ 5,8 bilhões previstos para a educação. Em abril, o Ministério da Educação divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de 30% na verba. Em maio, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) anunciou a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

No dia 5, ao participar do programa de Silvio Santos no SBT (em entrevista gravada dias antes) o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “a gente não vai cortar recurso por cortar. A ideia é pegar e investir na educação básica”. No entanto, levantamento feito a pedido do Estadão pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), com dados públicos do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento do Ministério da Economia, mostra que os bloqueios do MEC não pouparam nenhuma das etapas da educação.

“Balbúrdia”

Reportagem do El Pais publicada nesta terça-feira (14) relata que o bloqueio de verbas e o cancelamento de mais de 3 mil bolsas de pesquisa anunciados pelo governo federal começaram a movimentar as peças de um tabuleiro político virtual até então dominado por bolsonaristas.

“Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”. Esta fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub, no dia 30 de abril, acompanhada do anúncio de redução inediata de repasses à Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal da Bahia (UFBA), serviu de catalisador para intensos embates virtuais.

O WhatsApp foi infestado por imagens e mensagens, muitas delas de teor sexual, que ridicularizavam instituições de ensino superior. Vídeos de grupos de jovens nus foram compartilhados como se eles estivessem em “festas universitárias”. Pesquisadores que monitoram manifestações políticas nas redes sociais desde as últimas eleições avaliam que a ação difamatória foi orquestrada por grupos mais alinhados à direita.

O El Pais escreve que pela primeira vez, no entanto, essa rede de apoio ao governo Bolsonaro encontrou uma resistência mais forte, a partir de uma contranarrativa da comunidade acadêmica, que começou a compartilhar suas experiências pessoais e produções na universidade, principalmente pelo Twitter.

Leia mais: Plenário da Câmara convoca ministro para explicar bloqueio de verbas na educação.

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