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17/01/2017 12:34 por Redação

Ata sinaliza novo corte de 0,75 p.p. na Selic na próxima reunião do Copom

Fica mantida expectativa de ciclo longo de afrouxamento, que levará a taxa básica de juros para 9,50% no final de 2017

Depec-Bradesco*

A ata da reunião de política monetária do Banco Central (BC), divulgada hoje, reforça nossa expectativa de novo corte de 0,75 p.p. da taxa Selic na reunião de fevereiro. A ata teve, em nossa avaliação, tom semelhante ao do comunicado divulgado na semana passada: o BC fez uma reavaliação do desempenho recente da atividade econômica (para nível inferior ao esperado anteriormente), e destacou as surpresas baixistas com a inflação no curto prazo, bem como a ancoragem das expectativas. Estes foram os elementos decisivos para a intensificação do ritmo de cortes para 0,75 p.p., ante redução de 0,50 p.p. esperada anteriormente.

Leia: Copom diz esperar que redução da Selic ajude na retomada da economia.

Como mencionado, a inflação no curto prazo se manteve mais favorável que o esperado, com sinais contundentes de que o processo desinflacionário atingiu também componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. Além disso, a autoridade monetária destacou na ata o resultado do IPCA de 2016, de 6,3%, inferior ao teto da meta e abaixo das expectativas dos meses anteriores.

A atualização dos cenários para a inflação reforça a convergência do IPCA para a meta de 4,5% no ano que vem. No cenário de referência (que considera câmbio de R$/US$ 3,25 e taxa Selic de 13,75% em todo o horizonte de projeção), o BC projeta inflação ao consumidor medida pelo IPCA de 4,0% no final de 2017 e de 3,4% em 2018, abaixo do centro da meta e das estimativas anteriores divulgadas no Relatório Trimestral de Inflação. Já no cenário de mercado, com base nas projeções medianas de taxa de câmbio de R$/US$ 3,45 para este ano e de R$/US$ 3,50 para o próximo, e de taxa Selic de 10,25% e de 9,63% nos mesmos períodos, o Banco Central projeta inflação de 4,4% e de 4,5% para 2017 e para 2018, respectivamente. O recuo das projeções também refletiu o desempenho negativo da atividade econômica presente nos últimos dados.

Nesse contexto, merece destaque a reavaliação de que a atividade econômica tem se mostrado mais fraca do que era anteriormente previsto, inclusive no quarto trimestre do ano passado. A continuidade do enfraquecimento do mercado de trabalho e a perspectiva de recuperação mais lenta da atividade “podem produzir desinflação mais intensa que a refletida nas expectativas de inflação medidas pela pesquisa Focus e nas projeções condicionais produzidas pelo Copom”, conforme mencionado anteriormente. A frustração com a economia colocou-se como principal fator para a decisão do Copom de aceleração do ritmo de corte da taxa de juros, em ambiente com evidências de desinflação mais disseminada e ancoragem das expectativas. Segundo o BC, a decisão contribuirá para a estabilização e para a recuperação da economia à frente.

Quanto ao cenário externo, o possível fim do interregno benigno para as economias emergentes traz incertezas, mas seus impactos têm sido limitados até aqui. A retomada da normalização da política monetária norte-americana, juntamente com as possíveis mudanças na condução da política econômica do país, provocaram aumento nas taxas de juros de longo prazo das economias desenvolvidas. Apesar disso, o ambiente internacional tem beneficiado os países exportadores de commodities, com melhora em seus termos de troca.

Com relação ao progresso da agenda fiscal, a ata destacou o reconhecimento da importância da aprovação da PEC que estabeleceu o teto dos gastos públicos. Outras reformas fiscais fazem-se necessárias “para a continuidade do processo desinflacionário em curso e para as perspectivas de manutenção da inflação em torno da meta”.

Uma observação deve ser feita com relação ao debate entre os membros sobre a decisão de corte de 0,50 p.p. ou 0,75 p.p. O Copom entendeu que a estratégia de 0,50 p.p. teria como benefícios o acúmulo de mais evidências sobre o binômio atividade/inflação e o aumento da previsibilidade dos próximos passos do BC. Tal estratégia, contudo, não foi adiante, e a decisão escolhida foi a de cortar os juros em 0,75 p.p. Em nossa visão, essa foi a estratégia correta, uma vez que não apenas os dados correntes têm propiciado um ambiente mais desinflacionário, como ainda vislumbramos surpresas baixistas para a inflação à frente.

Em nossa avaliação, a ata reforça nossa expectativa de redução de 0,75 p.p. nas próximas reuniões, mantido o atual cenário. Continuamos acreditando em um ciclo longo de afrouxamento, que levará a Selic para o patamar de 9,50% no final de 2017, em resposta às pressões inflacionárias decrescentes em um ambiente de elevada ociosidade da economia.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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