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18/10/2019 08:39 por Redação

Balança comercial reflete o baixo dinamismo da economia mundial e da economia brasileira

A desaceleração do comércio mundial junto com a crise argentina aponta para um quadro não favorável à expansão das exportações do país

1. Durante o mês de setembro pioraram as expectativas quanto aos rumos do comércio mundial com o aumento das tensões da guerra comercial China e Estados Unidos e as incertezas sobre o desfecho para o Brexit. Nesse contexto, o Fundo Monetário Internacional projetou para 2019 um aumento de 3% para o produto mundial e de 1,1% para o volume do comércio mundial, uma queda de 1,4 pontos percentuais em relação à projeção realizada em julho.

No momento, ainda é prematuro considerar uma reversão desse quadro com o recente anúncio de uma possível trégua na guerra entre a China e os Estados Unidos e do término das negociações do Brexit na Comissão Europeia. A China não endossou expectativas otimistas e o resultado do Brexit precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e o britânico.

2. A desaceleração do comércio mundial junto com a crise argentina aponta para um quadro não favorável à expansão das exportações do país. O que mostram os dados da balança comercial até setembro?

3. Na comparação, em valor, entre os meses de setembro 2018/2019, as exportações recuaram 2,3% e as importações cresceram 16,8%. No acumulado do ano até setembro, as exportações caíram 5,6% e as importações, 1,3%. O saldo da balança comercial foi de US$ 33,6 bilhões, um valor inferior ao acumulado no ano até setembro de 2018, US$ 41,7 bilhões.

4. Observa-se que o efeito plataforma influencia os resultados, como ocorreu no mês de agosto (ver o ICOMEX de setembro). Com a exclusão das plataformas, as importações cresceram 4,7% e as exportações recuaram 10,1% na comparação mensal em valor. As trocas nos fluxos de plataformas sugerem, portanto, operações de caráter contábil para adequação das novas normas do regime REPETRO.

5. Os dados de volume registraram aumento de 1,5% nas exportações e de 25,3% nas importações entre os meses de setembro. Excluindo as plataformas, entretanto, as exportações recuam 6,6% e o aumento nas importações diminui para 12,3% na comparação mensal. Ressalte-se, o aumento no volume exportado de bens duráveis de consumo em 12%, após meses de quedas sucessivas. No acumulado, as exportações recuam 1,1% e as importações, 2,4% e sem as plataformas, os percentuais são de queda de 0,5% para as exportações e aumento de 4,8% nas importações.

6. Entre os três principais produtos exportados no mês de setembro, caiu o volume das vendas de minério de ferro e da soja e aumentou em 1,6%, as de óleo bruto de petróleo. Chamou atenção, o aumento do valor exportado do milho em grão (o quarto principal produto, quando se exclui as plataformas) em 85% liderado por um aumento no volume de 94%. Problemas na agrícola do milho nos Estados Unidos permitiram vendas até para o México, um fato excepcional.

7. No caso das importações, excluindo as plataformas sobressaíram as compras de óleos combustíveis que aumentaram 118% (aumento de 163% no volume) entre os meses de setembro.

8. Nos quatro mercados analisados através dos índices de comércio exterior, foi registrada queda no volume vendido nas vendas para os Estados Unidos, Argentina e China. O aumento de 50% nas exportações para a União Europeia é explicada pelas plataformas de petróleo.

9. O desempenho das commodities, que explicam cerca de 60% das exportações brasileiras registrou queda no volume (-3,4%) e nos preços (-4,9%) na comparação mensal e aumento no volume (2,3%) e queda nos preços (-4,4%) na comparação do ano até setembro. A projeção do FMI é de queda nos preços do petróleo em 2019 e 2020 e de um aumento de 0,9% e de 1,7% para esses anos em relação às outras commodities. Não é um bom sinal para as exportações brasileiras.

10. Por último, os termos de troca que estavam registrando uma tendência de alta suave, desde janeiro, caíram 2,6% entre agosto e setembro.

Os índices de preços e volume agregados e por atividade econômica

O volume exportado aumentou na comparação mensal para o setor de agropecuária e caiu para a indústria extrativa e de transformação, se excluirmos as plataformas. Na análise do acumulado do ano as exportações só recuaram para a indústria de transformação. Nas importações cresceram as compras de produtos da agropecuária e da indústria de transformação (mensal) e caíram para a extrativa. No acumulado do ano, o volume importado aumentou para todos os setores.

As variações positivas nos volumes exportados e importados no ano são pequenas, não chegam a 5% e no máximo foi de 5,4% nas importações (exclusive plataformas), além do registro negativo para a indústria de transformação. Esse baixo dinamismo reflete o baixo nível de atividade da economia brasileira (importações) e do comércio mundial (exportações).

A análise mensal por categoria de uso da indústria de transformação mostra que apenas no setor de bens de consumo duráveis foi registrada variação positiva. Esse resultado chama atenção, pois desde maio de 2018, com a exceção de um aumento de 1,6% em julho de 2019, essa categoria registrou quedas sucessivas. A crise argentina levou a uma retração nas vendas de automóveis. Em setembro, porém, as exportações de automóveis para o México aumentaram em 123%, o que pode ter contribuído para esse resultado. No acumulado do ano, porém, todas as categorias de exportação da indústria de transformação registraram queda, exceto bens intermediários e bens de consumo semiduráveis que aumentaram em 5,4% e 4,3%, respectivamente.

As importações aumentam em todas as categorias de uso, exceto bens duráveis de consumo entre setembro de 2018 e 2019. O aumento em 19,7% nas compras de bens intermediários seria um indicador de melhora no nível de atividade da indústria de transformação, que deverá ser acompanhado. No acumulado do ano, esse indicador mostra um aumento de 6,6%.

A análise dos principais mercados de destino das exportações brasileiras mostra um aumento de 50% para a União Europeia, que como foi comentado, é explicado pela venda de plataformas de petróleo para a Holanda. A desaceleração da China reduziu o volume exportado e a crise Argentina tem limitado as vendas para esse mercado. Para os Estados, a queda em setembro, após aumentos nos meses antecedentes, é explicada em parte pela retração nas vendas de óleo bruto de petróleo e de produtos siderúrgicos. No acumulado do ano, porém, os Estados Unidos é o único mercado que registra variação positiva (16,6%).

Na comparação mensal. as importações aumentaram em todos os mercados, exceto Argentina e, novamente, em relação ao acumulado do ano, apenas os Estados Unidos registrou variação positiva.

Os resultados da balança comercial não apresentam surpresas num cenário de baixo nível de atividade doméstica e externa, exceto pela melhora nas vendas de bens duráveis. Entretanto, não é possível afirmar se esse resultado irá se manter.

Acesse a versão com gráficos e tabelas aqui (em pdf).

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