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DOCES E SALGADOS

19/03/2018 07:42 por Redação

Maré presta homenagem a Marielle e Anderson e pede justiça

Manifestação na tarde deste domingo percorreu vias próximas ao complexo onde nasceu e cresceu a vereadora assassinada

MARIELLE MARÉ
Moradores do Complexo da Maré, conjunto de favelas na zona norte o Rio de Janeiro, fizeram na tarde deste domingo (18) um protesto contra a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes. Centenas de pessoas saíram da Vila do Pinheiro e seguiram pela Linha Amarela e Avenida Brasil.

Com o apoio de um carro de som, carregando faixas e cartazes, vestindo camisetas estampadas com o rosto de Marielle, os moradores se juntaram a centenas de pessoas vindas de outros bairros, relata a Agência Brasil.

A líder comunitária Flavinha da Maré, uma das organizadoras do protesto, destacou que Marielle não era apenas vereadora da localidade, mas uma representante das mulheres negras e pobres. “Ela almejou estar nesse lugar. Basta de preconceito. Mexeu com uma, mexeu com todas. Vamos todas usar o turbante com o orgulho", disse uma das organizadoras.

Minha irmã era sorriso, era guerreira, era a dançarina de funk, a vereadora que todo mundo conheceu. Espero que a gente possa ter justiça. Ela era mais uma negra, mais uma favelada que incomodou algo ou alguém. A gente espera que esse alguém seja descoberto", afirmou Anielle Franco, irmã da vereadora ao jornal O Dia.

Estavam presentes moradores da Maré, os deputados Marcelo Freixo (Psol) e Alessandro Molon (PSB) e a namorada da vereadora, Monica Benício. Artistas de televisão também compareceram à  manifestação, como as atrizes Camila Pitanga e Débora Bloch. "Precisamos deixar de ser um país de exclusão. Antes de tudo sou eleitora da Marielle. Essa é a voz da Marielle", afirmou Camila.

Nascida no Complexo da Maré, Marielle Franco era socióloga, com mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Foi a quinta vereadora mais votada nas eleições de 2016. Trabalhou em organizações da sociedade civil como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré (Ceasm). Também coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio. No primeiro mandato, Marielle era presidente da Comissão Mulher da Câmara dos Vereadores do Rio.

Marielle foi assassinada na noite de quarta-feira com quatro tiros na cabeça, quando ia para casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, retornando de um evento ligado ao movimento negro, na Lapa. A parlamentar viajava no banco de trás do carro, quando os criminosos emparelharam com o carro da vítima e atiraram nove vezes. Além da vereadora, também morreu no ataque Anderson Gomes, que trabalhava como motorista para o aplicativo Uber e prestava serviços eventuais para Marielle. Uma assessora que também estava no carro sobreviveu ao ataque.

Nesta segunda-feira -  Outra manifestação está sendo organizada para hoje (19). O ato sairá da Candelária, no Centro do Rio, e se dirigir à Cinelândia, onde acontecerá um ato inter-religioso, a partir das 19h. Também nesta segunda-feira, organizações não-governamentais (ONGs) usarão a tribuna do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para exigir uma resposta sobre a morte da ativista.

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