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DOCES E SALGADOS

19/06/2017 07:42 por Redação

Partido de Macron vence eleição legislativa francesa "mas não recebe cheque em branco"

Eleito em maio, presidente francês conquistou pelo menos 350 cadeiras na Assembleia, num pleito marcado por abstenção recorde

Menos da metade dos 47 milhões de eleitores convocados para o segundo turno da eleição legislativa francesa foi às urnas para o pleito deste domingo (18). Confirmando as previsões após os resultados do primeiro turno, no domingo anterior (11), o partido centrista A República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron, foi o grande vendedor, e terá mais de 350 deputados, dos 577 que compõem a Assembleia Nacional da França.

Leia: Na França, partido de Macron vence 1° turno das eleições legislativas.

De acordo com os primeiros resultados, divulgados às 20h pelo horário local (15h em Brasília), o índice de abstenção foi de 56,6%, um recorde histórico. Na eleição legislativa anterior, em 2012, 44,6% dos eleitores não foram às urnas, assinala a Rádio França Internacional.

Segundo as projeções baseadas em amostragem de urnas já apuradas, A República em Marcha (LREM na sigla em francês), partido político do jovem chefe de Estado de 39 anos criado há pouco mais de um ano, deve obter entre 355 e 425 assentos na Assembleia Nacional, bem acima dos 289 necessários para alcançar maioria absoluta.

Porém, diante do índice histórico de abstenção, o porta-voz do governo, Christophe Castaner, foi ponderado. Segundo ele, o governo obteve uma maioria clara, “mas ao mesmo tempo os franceses não quiseram assinar um cheque em branco".

O partido Os Republicanos (LR na sigla em francês), de centro-direita, conquistou pelo menos 125 cadeiras e se torna a primeira força da oposição no país.

Reforma da esquerda - O chefe do Partido Socialista, Jean-Christophe Cambadélis, foi um dos primeiros dirigentes de partido a se manifestar. A legenda, que dirigia o país até o mês de maio, com um chefe de Estado e uma maioria composta por 300 cadeiras, elegeu apenas 34 deputados. Ele qualificou a vitória de Macron como “incontestável” e fez um breve balanço da performance do PS no pleito.

Segundo Cambadélis, a esquerda deve mudar tudo “por dentro e por fora, em termos de ideias e de organização”. Ele assumiu “sua parte de responsabilidade” antes de anunciar que pretende deixar a direção da legenda.

Extrema-direita - A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, que foi derrotada no segundo turno da eleição presidencial, conseguiu ser eleita deputada pela primeira vez neste domingo. Com cerca de 2 milhões de votos, seu partido, a Frente Nacional (FN), conquistou pelo menos 6 cadeiras na Assembleia Nacional. Marine Le Pen é deputada do Parlamento Europeu desde 2004.

Greve cívica - Já o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélénchon, celebrou as 18 cadeiras conquistadas por seu partido, a França Insubmissa. Para ele, a boa notícia desse segundo turno da eleição legislativa é a “abstenção esmagadora, que tem um significado político”. Para ele, ao boicotar o pleito, “o povo fez uma greve cívica”.

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