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20/02/2019 13:00 por Redação

Apesar da hidrologia desfavorável, reajustes de energia elétrica devem ser menores em 2019

Mariana Silva de Freitas*

Após um ano de reajustes próximos de dois dígitos, as tarifas de energia elétrica devem apresentar alta mais modesta neste ano. Dessa forma, esse componente apresentará contribuição menor para a inflação ao consumidor (IPCA). Em 2018 o grupo apresentou elevação de 8,7%, composta por um reajuste médio das distribuidoras de 14%, mas amenizado por um alívio de bandeiras tarifárias em dezembro, quando a melhora das condições hidrológicas possibilitou o acionamento da bandeira verde. Para 2019, projetamos alta de 7,0% do grupo energia elétrica, explicada por uma desaceleração importante do patamar dos reajustes (em média 5,0%), mas contrabalanceada por uma bandeira tarifária mais elevada no fim do ano – esperamos acionamento da bandeira amarela em dezembro. 

Um vetor importante que pressionou os reajustes no ano passado foi o déficit da conta bandeiras. Conforme tratamos no destaque publicado em outubro², observamos ao longo do ano um alívio dessa conta, o que deve resultar numa redução do passivo das distribuidoras e pressionar menos os reajustes no decorrer de 2019. De fato, até o final de 2017 a conta bandeiras havia acumulado um déficit de R$ 4,4 bilhões, enquanto no ano passado o déficit foi próximo de R$ 500 milhões. Daqui para frente, diante da piora do cenário de chuvas, acreditamos que voltaremos a observar déficits crescentes, mas ainda inferiores ao observado em 2018, indicando que a conta bandeiras não deverá ser um vetor de pressão tão significativa para os reajustes das distribuidoras neste ano.

Outro componente que ajudará a explicar os reajustes mais moderados é o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que prevê um aumento menor em 2019. Trata-se do fundo responsável por algumas políticas públicas do setor, como subsídios e programas sociais. Dentro dessa conta, o alívio às tarifas virá principalmente do fim do recolhimento de recursos para compensar as despesas extraordinárias de energia das distribuidoras que foram pagas pela CDE em 2013, quando essas estavam deficitárias em um contexto de crise hídrica.

No curto prazo, a principal incerteza do cenário vem da hidrologia. De fato, o cenário de chuvas tem se mostrado pior nos primeiros meses do ano e os reservatórios seguem em níveis muito baixos – inclusive abaixo do observado no mesmo período do ano passado. Em nosso cenário de inflação de curto prazo, consideramos mudança de bandeira apenas em maio, mas a piora recente da hidrologia pode levar a uma antecipação. Pensando nos riscos para a projeção de 2019, uma piora mais permanente das condições hidrológicas poderia gerar novos custos não supridos pelas bandeiras, pressionando o déficit na conta bandeiras e, por consequência, os reajustes do ano – lembramos que esse não é nosso cenário base.

Em resumo, enquanto o cenário de chuvas não abre espaço para uma descompressão mais intensa dos preços de energia elétrica, acreditamos que há elementos que suportam uma redução do patamar dos reajustes em relação ao ano passado, como o saldo menos deficitário da conta bandeiras e o orçamento da CDE. Porém, vale lembrar que as mudanças regulatórias do setor e as incertezas do cenário climático são fatores de risco importantes, que devem ser monitorados ao longo do ano.

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 * Mariana Silva de Freitasé economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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