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DOCES E SALGADOS

20/08/2019 12:52 por Redação

Primeiro-ministro da Itália renuncia e culpa Salvini por queda do gabinete

Governo de coalizão chega ao fim após 14 meses; líder da extrema direita aposta na própria popularidade e quer novas eleições

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, anunciou sua renúncia nesta terça-feira (20) após acusar o ministro do Interior, Matteo Salvini, de arruinar a coalizão do governo e arriscar a economia do país por interesses pessoais e políticos.

Em um discurso duro dirigido ao Parlamento, Conte acusou o líder da Liga, de extrema-direita, de se aproveitar da própria popularidade. “(Salvini) tem demonstrado que está seguindo os próprios interesses e os de seu partido”, disse ele no Senado, enquanto Salvini sentava a seu lado com expressão impassível. “Suas decisões trazem sérios riscos a este país.”

Conte acusou Salvini de ter sido irresponsável ao provocar uma crise na coalizão em meio ao recesso parlamentar de verão. Afirmou também afirmou que a Itália está enfraquecida em suas negociações com a União Europeia devido às posições intransigentes de Salvini, sobretudo no que se refere à questão imigratória e ao orçamento.

Conte, que é um político independente e não pertence aos partidos da coalizão governista, deve efetivar sua renúncia ainda hoje, o que levará o presidente da Itália, Sergio Mattarella, a abrir consultas formais com os partidos para avaliar se uma nova coalizão pode se formar, relata a Reuters. Caso essa possibilidade não se concretize, Mattarella pode dissolver o Parlamento e convocar novas eleições – exatamente o que quer Salvini.

O líder extremista exige eleições antecipadas, três anos e meio antes do previsto, confiante de que sua crescente popularidade o levará a ser o novo primeiro-ministro da Itália, jogando Movimento 5-Estrelas, ex-parceiro de coalizão, na oposição.

A renúncia de Giuseppe Conte abre caminho para vários cenários, assinala a Rádio França Internacional. Um deles, apontado com frequência pelos analistas, é a possível formação de um novo governo com outra coalizão, da qual fariam parte o M5E, vencedor das eleições de 2018 com 32%, e o Partido Democrático (centro esquerda), que ficou em segundo, com 18%. A crise desencadeada pelo fim da aliança no poder não apenas gerou preocupação pela estabilidade econômica da Itália, terceira maior economia da zona do euro, como também acabou aproximando duas legendas até então rivais. Essa aliança pode conter o impressionante avanço de Salvini e de sua política de extrema-direita.

Vários líderes históricos da centro-esquerda de diferentes correntes consideram que a oportunidade deve ser aproveitada para formar um governo sólido e progressista, com o apoio da União Europeia, que ofereça uma resposta ao fenômeno da migração, ao desemprego dos jovens e à dívida pública.

Por outro lado, Salvini aposta em sua forte popularidade para enfrentar eleições antecipadas, eventualmente em outubro. Ele acredita que a Liga pode conquistar a maioria do Parlamento e, com isso, ele se veria livre para governar sozinho.

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