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DOCES E SALGADOS

21/10/2019 08:30 por Redação

Chile enfrenta maior onda de protestos desde a redemocratização

Aumento da passagem do metrô teria sido a gota d'agua num cenário de elevada desigualdade social e serviços básicos privatizados

Pelo menos três pessoas perderam a vida neste final de semana em manifestações em várias cidades do Chile, apesar do toque de recolher imposto pelos militares em Santiago e em dois outros polos urbanos para conter protestos contra o aumento da tarifa do transporte. Segundo a Reuters, houve saques e confrontos.

As manifestações se relacionam ao reajuste da passagem de metrô. Os protestos tiveram início na capital e depois se espalharam para outras cidades do país. No sábado, o presidente chileno, Sebastián Piñera, suspendeu o aumento da tarifa.

A restrição de movimento e reunião, aplicada em Santiago pela primeira vez desde o final da ditadura de Augusto Pinochet, em 1990, não impediu ações durante a noite com novos incêndios e saques de estabelecimentos comerciais. Militares vagavam pelas ruas em tanques e outros veículos, sobrevoavam a cidade em helicópteros, tentando evitar novos incêndios na rede de metrô, a mais moderna da América Latina. O presidente do Metro Board, Louis de Grange, disse que o sistema pode ter algumas linhas paralisadas por até quatro meses.

O ministro do Interior, Andrés Chadwick, disse que duas pessoas morreram e uma foi gravemente ferida por um incêndio após a pilhagem de um supermercado na zona sul de Santiago. O promotor Xavier Armendáriz confirmou a morte de um homem em outro incêndio. Durante a madrugada, duas pessoas foram feridas a tiros em um posto de patrulha militar, o que as autoridades militares disseram estar sendo investigado.

Chadwick também informou que 716 pessoas foram presas em todo o país devido aos tumultos, enquanto 244 foram detidas por violar o toque de recolher. Além disso, ele não descartou a extensão do estado de emergência - em vigor em Santiago, Valparaíso, Bío Bío, Coquimbo e O’Higgins - para outras regiões.

“Gota d’água”

Os chilenos amanheceram nesta segunda-feira (21) contando os estragos da pior revolta social desde a redemocratização do país. No primeiro dia útil depois de três jornadas de distúrbios, 27 estações do metrô estão sendo reabertas. Mas o centro da capital está devastado. O cenário nas ruas de Santiago é de destruição: semáforos no chão, ônibus queimados, lojas saqueadas e milhares de destroços nas ruas.

A tensão tem aumentado desde o início dos protestos, na sexta-feira (18). “Não é só pelo aumento das passagens, isso foi a gota d’água”, explica à RFI a presidente da Federação de Sindicatos do Metrô, Paula Rivas. “Aqui tratamos das pensões que empobrecem os aposentados, do aumento do custo da eletricidade, da privatização da água, da educação e da saúde. Nós rechaçamos a violência, mas estamos de acordo com as reivindicações sociais”, disse a sindicalista.

“As condições em Santiago e no Chile hoje são críticas. Esperamos que o presidente nos diga quais vão ser as medidas imediatas se quiser conter isso”, conclui Paula Rivas.

Aos gritos de "basta de abusos" e com a hashtah #ChileAcordou, que dominou as redes sociais, o país enfrenta críticas a um modelo econômico em que o sistema porevidenciário e o acesso à saúde e à educação são praticamente privados, com elevada desigualdade social, valores de pensões reduzidos e alta do preço dos serviços básicos.

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