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24/01/2017 15:14 por Redação

Ajuste externo prosseguiu em 2016, com forte redução do déficit em conta corrente

Depec-Bradesco*

O saldo em transações correntes foi negativo em US$ 5,9 bilhões em dezembro, segundo as informações divulgadas hoje pelo Banco Central. O resultado foi inferior à nossa projeção e à mediana das expectativas do mercado, ambas de -US$ 4,5 bilhões, e também abaixo do piso dos números do mercado (-US$ 4,8 bilhões), de acordo com coleta da Bloomberg.  A diferença em relação à nossa projeção se deveu a maior remessa de lucros e dividendos. Ainda que o déficit tenha sido mais intenso que o observado no mesmo mês do ano anterior (-US$ 2,4 bilhões), o saldo acumulado em 2016 foi de -US$ 23,5 bilhões, inferior à metade do déficit registrado em 2015 (-US$ 58,9 bilhões), reforçando a continuidade do ajuste externo. O saldo acumulado em 2016 equivale a -1,3% do PIB.

Leia: Transações correntes tiveram déficit de US$ 23,5 bilhões em 2016.

Novamente, a balança comercial contribuiu de forma positiva para o resultado do mês ao apresentar superávit de US$ 4,2 bilhões, acumulando saldo positivo de US$ 45,0 bilhões em 2016. O superávit foi bastante superior aos US$ 17,7 bilhões verificados em 2015, e se deveu em grande parte à queda das importações por conta do menor nível de atividade doméstica. No sentido oposto, a conta de serviços foi deficitária em US$ 3,4 bilhões, encerrando o ano em -US$ 30,5 bilhões, acima do déficit de US$ 36,9 bilhões em 2015. Já a conta de renda primária mostrou déficit de US$ 7,0 bilhões no mês passado, refletindo maior remessa de lucros e dividendos, cuja conta oscilou de -US$ 1,8 bilhão em novembro para -US$ 3,9 bilhões. Vale destacar que o saldo nessa rubrica é sazonalmente bastante negativo em dezembro. Com isso, a conta de renda primária acumulou saldo negativo de US$ 41,1 bilhões em 2016, ante–US$ 42,4 bilhões no ano anterior.

Na conta financeira, o Investimento Direto no País, mais uma vez, surpreendeu positivamente, ao mostrar entradas líquidas de US$ 15,4 bilhões, muito acima da nossa estimativa (US$ 6,2 bilhões) e da mediana do mercado (US$ 7,2 bilhões). O forte resultado e a diferença em relação ao nosso número foram explicados pelo saldo positivo de US$ 6,6 bilhões de empréstimos intercompanhia, contra média mensal de US$ 1,8 bilhão nos três meses anteriores. Já a participação de capital mostrou fluxo positivo de US$ 8,8 bilhões. Dessa forma, os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros no país acumularam US$ 78,8 bilhões em 2016, o equivalente a 4,42% do PIB. O saldo também foi superior ao observado em 2015, de US$ 74,5 bilhões. As surpresas positivas dos últimos meses dão viés de alta para a nossa projeção de IDP para 2017, de US$ 70,0 bilhões. Cabe destacar que o saldo de IDP em 2016 foi três vezes mais alto que o déficit em conta corrente no mesmo período.

Já os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram saídas líquidas de US$ 1,6 bilhão no mês passado, refletindo o déficit de aproximadamente US$ 2,0 bilhões em renda fixa no país e a entrada de US$ 423 milhões em ações. Em 2016, os investimentos estrangeiros em carteira acumularam déficit de US$ 20,0 bilhões. O que compensa esse resultado é o fato de que o IDP continua registrando saldo bastante positivo.

A taxa de rolagem da dívida externa, por sua vez, voltou a recuar em dezembro, ao atingir 54,7%, abaixo dos 190,0% observados em novembro e da média de 81,0% de 2016, sugerindo, assim, alguma piora das captações externas e condições gerais de funding externo no período.

Como dito anteriormente, o resultado das contas externas de 2016 fortalecem a perspectiva de prosseguimento do ajuste externo. Tendo em vista que a recuperação da atividade tem se mostrado mais lenta, acreditamos que o déficit externo também persistirá por mais algum tempo. Assim, esperamos que o déficit externo em 2017 continue em torno de 1,0% do PIB, sendo facilmente financiado pelos ingressos de Investimento Direto no País.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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