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DOCES E SALGADOS

24/03/2020 09:50 por Redação

Coronavírus causa forte impacto na confiança do consumidor em março

Indicador da FGV caiu 7,6 pontos, com piora das avaliações sobre o presente e as expectativas em relação aos próximos meses

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas caiu 7,6 pontos em março, para 80,2 pontos, o menor valor desde janeiro de 2017 (78,3 pontos). O indicador acumula perda de 11,4 pontos nos primeiros três meses de 2020.

“A queda na confiança dos consumidores, que já vinha ocorrendo nos dois meses anteriores, aprofundou-se em março, sob influência da pandemia de coronavírus. Apesar de dois terços da coleta de dados para esta edição ter ocorrido antes das medidas de restrição, já é possível notar um impacto expressivo nas expectativas”, analisa Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das sondagens.

Rio de Janeiro foi a capital que registrou a maior queda na confiança, enquanto os paulistas já perceberam a piora da situação atual, possivelmente em função do maior número de casos e por seu imenso parque fabril.

“O cenário para os próximos meses é preocupante, com forte impacto econômico e social. Embora seja difícil imaginar alguma recuperação da confiança no horizonte visível, esperamos que o sucesso das medidas de isolamento parar reduzir a disseminação do vírus possam ao menos conter parte do desânimo que virá com a queda do PIB e o aumento do desemprego”, afirma a economista.

Presente e futuro incertos - Em março, as avaliações sobre o presente e as expectativas em relação aos próximos meses se deterioraram. O Índice de Situação Atual (ISA) diminuiu 4,8 pontos, para 76,1 pontos, o menor nível desde julho de 2019 (75,6 pontos), enquanto o Índice de Expectativas (IE) caiu 9,3 pontos para 83,9 pontos, o menor desde dezembro de 2016 (81,6 pontos). O resultado gera uma perda de otimismo de 16,4 pontos no ano de 2020.

Entre os quesitos que integram o ICC, o indicador que mede as expectativas sobre a economia para os próximos meses foi o que mais contribuiu para a queda da confiança ao despencar 12,0 pontos, para 104,9 pontos, o menor nível desde setembro de 2018 (100,6 pontos), patamar pré-eleições 2018.

Meno empregos - O aumento de incerteza gerado pela queda dos preços do petróleo, e pelo avanço da contaminação do Covid-19 no Brasil contribuíram para o aumento do pessimismo em relação ao futuro da economia. Num cenário econômico mais difícil nos próximos meses, consumidores também preveem redução da oferta de empregos e uma piora da situação financeira das famílias. O indicador que mede as perspectivas sobre as finanças familiares piorou pelo terceiro mês consecutivo, com queda de 7,0 pontos para 92,2 pontos, o menor nível desde junho de 2018 (91,5 pontos), período no qual a confiança foi impactada pela greve dos caminhoneiros.

Classes de renda - Houve perda de confiança para consumidores em todas as classes de renda, influenciado pelo aumento do pessimismo em relação à situação econômica nos próximos meses exceto para famílias de menor poder aquisitivo (até R$ 2,1 mil), cuja queda foi influenciada pela redução forte na intenção de compras, cujo indicador caiu 9,9 pontos. Dentre as classes de renda, a maior queda advém na das famílias com renda familiar mensal entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8 mil, cujo índice de confiança recuou 10,8 pontos.

“Apesar do impacto maior ter sido nas expectativas das famílias com relação à economia, há deterioração das expectativas em relação a situação financeira familiar e ao emprego, principalmente para os consumidores com renda familiar entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8 mil, o impacto afeta diretamente sua propensão a consumir cujo indicador caiu 12,8 pontos e suas perspectivas de obter emprego nos próximos meses, que reduziu 10,1 pontos”, diz Viviane Seda Bittencourt.

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