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24/10/2018 13:01 por Redação

Redução gradual da taxa de desemprego é reflexo da melhora da ocupação por conta própria

Rafael Martins Murrer*

Desde que atingiu o patamar mais elevado da série histórica no primeiro trimestre do ano passado, a taxa de desemprego tem recuado lentamente até registrar 12,2% no trimestre encerrado em agosto deste ano, na série livre de efeitos sazonais. Esse patamar ainda é bastante elevado e evidencia que o recuo da taxa de desocupação ocorreu de forma muito gradual até agora, frustrando as expectativas iniciais que projetavam um mercado de trabalho mais aquecido.

Analisando a evolução da população ocupada, percebemos algumas similaridades entre o ocorrido ao longo do ano passado e o início do segundo semestre deste ano.Em ambos os períodos houve um forte aumento da ocupação, impulsionado principalmente pelo crescimento da ocupação por conta própria. Tais movimentos podem ser reflexo do efeito da renda extra disponibilizada às famílias, por conta da liberação do FGTS em 2017 e do PIS/Pasep, agora em 2018. Essa injeção de recursos, além de impulsionar o consumo, pode incentivar a expansão dessa categoria de ocupação – assim, indivíduos que estavam desempregados ou fora do mercado de trabalho ampliaram a ocupação (e a PEA) total.

A evolução da categoria de pessoas trabalhando por conta própria tem sido tão relevante que o desemprego estaria estável se não fosse essa modalidade de ocupação. Além do avanço da ocupação por conta própria, destacamos o contínuo recuo, desde 2014, da ocupação privada com carteira assinada. Apesar da taxa de desemprego medida pela PNAD Contínua recuar desde o segundo trimestre do ano passado, a composição do mercado de trabalho mostrou piora nesse período, uma vez que o mercado informal costuma apresentar condições menos favoráveis de trabalho, menores salários, maior volatilidade e menores garantias de permanência no emprego.

Em resumo, após atingir o ponto máximo da série histórica, a taxa de desemprego tem recuado neste ano essencialmente pela melhora do nível de ocupação por conta própria; caso contrário, permaneceria estável desde o ano passado, configurando uma composição qualitativa menos benigna. Dessa forma, a lenta redução da taxa de desemprego, a composição desfavorável da ocupação e o elevado número de desalentados explicitam o desafio do mercado de trabalho brasileiro. Para os próximos meses, contudo, esperamos uma melhora, com a retomada da confiança, caso haja um aprofundamento da agenda de reformas, o que deve levar a uma aceleração do crescimento e a uma melhora da qualidade do mercado de trabalho, com mais empregos formais e menos informais.

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* Rafael Martins Murrer é economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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