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DOCES E SALGADOS

25/03/2020 07:47 por Redação

"Fique em casa", reforçam infectolologistas após fala de Bolsonaro

Sociedade de Infectologia diz que 'distanciamento social é fundamental' para conter o coronavírus; secretários de saúde também se manifestam

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) viu com preocupação o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite de terça-feira (24) em rede nacional de rádio e TV. Em nota, a entidade que representa médicos especialistas, considerou que a fala do presidente pode dar falsa impressão que as medidas de contenção social são inadequadas e que a Covid-19 é semelhante ao resfriado comum.

“Neste difícil momento da pandemia de COVID-19 em todo o mundo e no Brasil, trouxe-nos preocupação o pronunciamento oficial do Presidente da República Jair Bolsonaro, ao ser contra o fechamento de escolas e ao se referir a essa nova doença infecciosa como “um resfriadinho”.

Tais mensagens podem dar a falsa impressão à população que as medidas de contenção social são inadequadas e que a COVID-19 é semelhante ao resfriado comum, esta sim uma doença com baixa letalidade. É também temerário dizer que as cerca de 800 mortes diárias que estão ocorrendo na Itália, realmente a maioria entre idosos, seja relacionada apenas ao clima frio do inverno europeu. A pandemia é grave, pois até hoje já foram registrados mais de 420 mil casos confirmados no mundo e quase 19 mil óbitos, sendo 46 no Brasil.

O Brasil está numa curva crescente de casos, com transmissão comunitária do vírus e o número de infectados está dobrando a cada três dias.

Leia a nota da SBI na íntegra aqui.

Secretários de saúde

Os secretários de Saúde do Nordeste publicaram uma carta fazendo contrapontos em relação ao posicionamento presidencial:

“Assistimos estarrecidos ao pronunciamento em cadeia nacional do Presidente Jair Bolsonaro, onde desfaz todo o esforço e nega todas as recomendações para combate à pandemia do coronavírus.

Não é nosso desejo politizar esse problema. Já temos dificuldades demais pra enfrentar. Não podemos cometer esse erro. Vamos continuar fazendo nosso trabalho. Não nos parece que a posição exposta pelo Presidente seja a do Ministério da Saúde, que tem se conduzido tecnicamente.

Percebemos, com espanto, os graves desencontros entre o pronunciamento do Presidente e as diretrizes cotidianas do Ministério da Saúde. Esta fala atrapalha não só o ministro, mas todos nós!

Sabemos que iremos enfrentar uma grave recessão econômica, mas o que nos cabe lidar diretamente é a grave crise sanitária.

Vamos seguir tocando nossas vidas com decisões baseadas em evidências científicas, seguindo exemplos bem sucedidos ao redor do mundo.

A grande maioria dos países do mundo, ocidentais e orientais, já firmaram seu curso no combate ao vírus e é este curso que o Nordeste Brasileiro seguirá”.

Que Deus abençoe cada um de nós que pouco temos dormido. Que Deus nos abençoe!”

Leia mais: Para Alcolumbre, fala de Bolsonaro é grave; para Maia, "equivocada".

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