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25/04/2017 14:00 por Redação

Superávit de transações correntes em março aponta para continuidade do ajuste externo

Depec-Bradesco*

O superávit em conta corrente, que surpreendeu as estimativas dos analistas de mercado, sugere continuidade do ajuste externo ao longo deste ano. Além disso, o ingresso de Investimento Direto no País seguiu forte no período. Assim, em doze meses, o montante recebido de IDP é mais que quatro vezes superior ao déficit em conta corrente. Ademais, o saldo de investimentos estrangeiros em renda fixa ficou próximo de zero, após sucessivas saídas líquidas.

Leia: Contas externas tiveram superávit de US$ 1,397 bi em março.

O saldo em transações correntes foi superavitário em US$ 1,4 bilhão em março, segundo os dados divulgados hoje pelo Banco Central.  O resultado foi bastante superior à nossa projeção (déficit de US$ 420 milhões) e à mediana  das expectativas do mercado (US$ 450 milhões), de acordo com estimativas coletadas pela Bloomberg. Em relação ao nosso número, a surpresa altista foi explicada essencialmente pelas despesas de aluguéis de equipamentos abaixo da sazonalidade e por remessas de lucros e dividendos inferiores à nossa expectativa.  Nos últimos doze meses, o déficit acumulado foi de US$ 20,6 bilhões, o equivalente a 1,10% do PIB.

Na conta corrente, destacamos novamente o forte superávit da balança comercial (US$ 6,9 bilhões), em linha com o sugerido pelos dados divulgados pelo MDIC. Mais uma vez, o saldo bastante positivo foi impulsionado pelo avanço das exportações. Para abril, os dados semanais já mostram novo crescimento dos embarques, fazendo com que o saldo do mês seja superior, por hora, ao apresentado nos meses anteriores. Mantendo a tendência das divulgações anteriores, o déficit em serviços (de US$ 2,9 bilhões) foi ligeiramente mais intenso que o verificado no mesmo período de 2016 (-US$ 2,5 bilhões), diante da apreciação da taxa de câmbio e dos sinais de estabilização da economia. O mesmo pode ser dito sobre o déficit de renda primária, que atingiu US$ 3,2 bilhões nessa divulgação contra déficit de US$ 2,4 bilhões em março de 2016.

Na conta financeira, Investimentos Diretos no País seguiram mostrando forte entrada líquida (US$ 7,1 bilhões), em linha com o esperado por nós e pelo mercado. Com isso, este item acumulou saldo positivo de US$ 85,9 bilhões nos últimos doze meses. Em contrapartida, houve saída líquida de US$ 2,3 bilhões em ações, ao passo que a rubrica de renda fixa ficou praticamente zerada (-US$ 59 milhões). As informações parciais de abril divulgadas pelo Banco Central sugerem melhora expressiva dos fluxos de investimentos em carteira.

Outro ponto positivo é que a taxa de rolagem atingiu 91% em março, em mês de elevadas amortizações de dívidas externas. No primeiro trimestre, a taxa média foi de 85%, superior à observada no ano passado (63%).

Dessa forma, os dados de março fortalecem nossa expectativa de continuidade do ajuste externo. Tendo em vista que a recuperação da atividade vem se mostrando bastante gradual, acreditamos que o ajuste do déficit externo também persistirá por mais algum tempo. Além disso, a balança comercial seguirá contribuindo positivamente com o saldo em transações correntes. Ainda que as importações se recuperem, as exportações têm se mostrado bastante fortes, o que deve compensar tal efeito. Assim, o déficit externo em 2017 deverá ficar em torno de 1,2% do PIB, sendo facilmente financiado pelos ingressos de Investimento Direto no País.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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