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25/07/2019 07:45 por Redação

Canais de transmissão do crescimento global para o Brasil

A despeito do cenário externo continuar incerto em termos de crescimento, esperamos alguma aceleração para o próximo ano

Ariana Zerbinatti e Fernando Honorato Barbosa*

Um dos fatores responsáveis pelo baixo crescimento da economia brasileira tem sido o choque negativo da atividade global.  Apesar de nossa economia ser relativamente fechada – o que torna contra intuitiva a afirmação anterior – nossos ciclos de crescimento, na prática, guardam correlação relevante com os do mundo, como sugerido pelo indicador antecedente da OCDE. Esse indicador resume informações de confiança, produção industrial, agregados monetários e do setor externo das principais economias desenvolvidas e emergentes. Com o choque idiossincrático no crescimento brasileiro, essa correlação histórica se perdeu entre 2014 e 2016, mas há indícios de que tenha voltado a ser significativa desde meados de 2017.

Nosso grau de abertura comercial é bastante baixo em comparação com nossos pares, mas mantemos relações importantes com as principais economias globais e com a Argentina. É plausível supor também que os ciclos de geração de lucros, estratégias empresariais e mesmo incertezas econômicas que afetam esses países se transmitam de alguma forma para suas filiais no Brasil, caracterizando-se como um canal de “contágio” não diretamente relacionado ao comércio.  Por outro lado, o alívio das condições financeiras no exterior tem contribuído para melhora interna.

A maior disposição dos bancos centrais em sustentar o crescimento deve minimizar os efeitos da tensão comercial na atividade global no próximo semestre e em 2020. Nesse contexto de mais afrouxamento monetário, esperamos uma aceleração do PIB global no próximo ano, de 3,1% para 3,4%. Ainda assim, incertezas relevantes permaneçam no radar. Dentre elas, podemos citar o não fechamento de acordo entre EUA e China, uma desaceleração mais intensa da economia chinesa (principalmente se forem concedidos menos estímulos fiscais e monetários) e questões idiossincráticas da Europa, como um hard Brexit.

Ainda que não haja uma retomada mais significativa da economia doméstica neste ano, as condições para 2020 parecem mais favoráveis. A redução das incertezas fiscais e o esperado avanço da agenda de reformas e as privatizações devem impulsionar o crescimento à frente. A despeito do cenário externo continuar incerto em termos de crescimento, esperamos alguma aceleração para o próximo ano. Assim, o ambiente de maior liquidez e de inflação global contida, juntamente com a elevada ociosidade doméstica e a menor expansão dos gastos públicos, abrem espaço para que a Selic caia e permaneça em patamares baixos por um período mais prolongado do que o habitual.

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* Ariana Zerbinatti e Fernando Honorato Barbosa são economistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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