Home > ARTIGOS > Argentina: incertezas devem persistir ao menos até a eleição de 27 de outubro

ARTIGOS

25/09/2019 12:32 por Redação

Argentina: incertezas devem persistir ao menos até a eleição de 27 de outubro

Pouco se sabe ainda sobre os planos do favorito na corrida presidencial, Alberto Fernández, para a política econômica

Constantin Jancso*

As perspectivas para a economia argentina permanecem indefinidas. O resultado da eleição primária realizada em 11 agosto aponta para o franco favoritismo da chapa liderada pelo Partido Justicialista (peronista) encabeçada por Alberto Fernández, com a ex-presidente Cristina Kirchner como candidata a vice-presidente.

A eleição será realizada em 27 de outubro e a posse do novo governo será em 10 de dezembro. Se necessário, haverá segundo turno em 24 de novembro, mas o resultado da eleição primária (no qual o voto foi obrigatório) aponta vitória de Fernández já no primeiro turno. Na eleição primária, o candidato peronista recebeu 47% dos votos, contra 33% para Mauricio Macri. Para vencer no primeiro turno, um candidato deve receber mais do que 45% dos votos ou mais de 40% e ter mais de 10 pontos percentuais de vantagem em relação ao segundo colocado.

O aumento da volatilidade após a eleição primária levou o governo Macri a adotar medidas para estabilizar os mercados, como a reestruturação das letras do tesouro de curto prazo em dólar e, mais recentemente, medidas de controle de capitais como restringir compras de dólar por pessoas físicas a US$ 10 mil ao mês ou obrigar exportadores a converter suas receitas de volta para pesos.

Em última instância, a reestruturação da dívida de curtíssimo prazo em dólares, os controles de capitais e a elevação das taxas de juro têm como objetivo preservar as reservas internacionais. As intervenções para estabilizar a taxa de câmbio (tanto antes quanto depois da eleição primária) apontavam para uma trajetória insustentável. Note que a dívida da Argentina com o FMI é de US$ 43,7 bilhões, o que implica que as reservas líquidas sejam menos de US$ 15 bilhões. A reserva líquida (de empréstimos do FMI) é tradicionalmente uma meta nos programas do FMI, ainda que no caso argentino, o Fundo tenha sido muito mais flexível, permitindo o uso dos recursos para financiar o déficit fiscal e para intervenção no mercado.

Caso o favoritismo de Fernandez se confirme, pouco se sabe de concreto a respeito de seus planos para a política econômica. O candidato tem se limitado a criticar a conjuntura econômica atual e a atribuir culpa ao atual governo, mas sua estratégia eleitoral parece ser de evitar detalhar propostas concretas.

A definição da política econômica após 10 de dezembro será fundamental para o cenário econômico. Trazemos nossas projeções de crescimento, inflação, juro e câmbio revisadas ao se considerar o choque negativo de confiança observado nas últimas semanas e a consequente depreciação cambial e as medidas do governo para tentar estabilizar os mercados. Políticas econômicas têm impacto sobre variáveis importantes para se traçar um cenário, como o câmbio e o juro real de equilíbrio, o crescimento potencial da economia e o repasse da depreciação cambial para a inflação. A título de comparação, trazemos a projeção mediana do mercado obtida da última pesquisa de expectativas do mercado (Relevamiento de Expectativas de Mercado – REM), referente ao final de agosto.

Clique no botão DOWNLOAD, logo abaixo, para ler o artigo com gráficos e tabelas.

* Constantin Jancso é economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

DOWNLOAD '
Enviando