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DOCES E SALGADOS

26/03/2020 10:53 por Redação

Confiança do setor de construção cai pelo segundo mês consecutivo em março

Principal influência foi a piora das expectativas dos empresários para os próximos meses

O Índice de Confiança da Construção (ICST), da Fundação Getulio Vargas, recuou 2,0 pontos em março, alcançando 90,8 pontos. Apesar de duas quedas consecutivas, a média do índice no primeiro trimestre de 2020 (92,6 pontos) é 2,7 pontos maior do que a média do quarto trimestre de 2019 (89,9 pontos).

O resultado negativo do ICST em março refletiu a piora da percepção dos empresários principalmente em relação às expectativas para os próximos três e seis meses. O Índice de Expectativas (IE-CST) cedeu 3,5 pontos, para 95,5 pontos, o menor valor desde junho de 2019 (92,9 pontos). O indicador de demanda prevista apresentou queda de 3,6 pontos, para 96,1 pontos, enquanto o indicador de tendência dos negócios para os próximos seis meses caiu 3,5 pontos, para 94,8 pontos.

Em relação ao momento presente, o Índice de Situação Atual (ISA-CST) apresentou acomodação, após nove avanços consecutivos, recuando de 86,7 pontos para 86,3 pontos. Apesar da queda do indicador de carteira de contratos de 1,5 ponto, para 85,1 pontos, o indicador de situação atual dos negócios apresentou aumento de 0,8 ponto, para 87,7 pontos.

O Nível de Utilização da Capacidade (NUCI) do setor recuou pelo terceiro mês consecutivo. A queda de 1,0 ponto percentual (p.p.) levou ao patamar de 69,6%, o menor desde setembro de 2019. Neste mês, a maior influência para esse resultado foi a queda de 1,2 p.p. do NUCI de Mão de Obra, já que o NUCI de Máquinas e Equipamentos avançou 0,8 p.p.

“Depois de um período de grande retração, a construção mostrou uma inflexão sinalizando o início de retomada, que embora ainda não se mostrasse muito robusta, era inequívoca na percepção empresarial”, diz Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV IBRE.

“A construção trabalha por ciclos prolongados, mas a disseminação da covid-19 muda o cenário. Em março, ainda não houve impacto expressivo nos negócios correntes, mas o Indicador de Expectativas já aponta a deterioração do cenário. O segmento de Serviços Especializados, formado por um conjunto grande de pequenos empreiteiros, certamente sentirá mais e já em março foi o que acusou o maior impacto nas expectativas”, avalia a economista.

A edição de março do ICST coletou informações de 708 empresas entre os dias 2 e 23 deste mês.

Fatores limitativos

A demanda permanece como o principal fator de limitação à melhoria dos negócios das empresas da construção, no entanto nesta sondagem surgiu a preocupação com o Covid-19 entre os empresários da construção - no quesito Outros Fatores. Nos próximos meses, essa é uma questão que deverá ter impactos expressivos na atividade corrente e afetar também o movimento de retomada, observa Ana Maria Castelo.

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