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DOCES E SALGADOS

26/03/2020 11:24 por Redação

Inflação pode ficar em 2,6% este ano, diz relatório do BC

Previsão de crescimento do crédito foi diminuída de 8,1% para 4,8%; déficit em transações correntes deverá ser de 2,5% do PIB

A inflação oficial do país, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), pode ficar em 2,6% neste ano, de acordo com o Relatório de Inflação divulgado hoje (26) pelo Banco Central. A previsão é que a inflação suba para 3,2% em 2021 e para 3,3% em 2022.

No relatório, o BC faz projeções considerando quatro cenários com expectativas para a taxa básica de juros, a Selic, e para o câmbio. Para a presente etimativa, foram consideradas as projeções do mercado financeiro relativas aos finais de ano para a taxa Selic (3,75% ao ano em 2020; 5,25% em 2021; e 6% em 2022), e para o câmbio (R$ 4,35 em 2020; e R$ 4,20 em 2021; e R$ 4,20 em 2022).

Assim, a inflação ficará próxima do limite inferior da meta para este ano. O centro da meta é 4%, com intervalo de tolerância de 1,5 pp. Para 2021, a meta é 3,75%, e para 2022, 3,50%.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida atualmente em 3,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica. E quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Crédito

Com os impactos do novo coronavírus (covid-19) na economia, o BC espera crescimento menor do crédito este ano. De acordo com o Relatório de Inflação, a previsão para o saldo total do crédito caiu de 8,1% para 4,8%.

“De forma geral, a projeção de menor crescimento do saldo de crédito reflete cenário substancialmente mais desafiador para a atividade econômica diante da pandemia de coronavírus (covid-19), haja vista a elevação de incertezas no ambiente econômico internacional e a expressiva queda nas expectativas de crescimento para o Brasil em 2020”, diz o BC no relatório.

Empresas - A estimativa para o saldo do credito às pessoas jurídicas (empresas) caiu de 2,5% para 0,6%. Houve redução na projeção de crescimento do segmento de recursos livres de 9,7% para 6%, “influenciada pela reversão nas expectativas de crescimento da economia”. O crédito com recursos livres é aquele em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e para definir as taxas de juros.

No caso dos empréstimos com recursos direcionados (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de infraestrutura) às empresas, o BC projeta retração de 8% do saldo. A previsão anterior era de queda de 8,6%.

Famílias - No caso do crédito destinado a pessoas físicas, a estimativa passou de 12,2%, em dezembro, para 7,8% no relatório divulgado hoje.

Para o BC, os empréstimos para pessoas físicas financiados com recursos livres “continuam sendo o principal vetor de crescimento do crédito no país”. “Entretanto, o ritmo de expansão dessas modalidades em 2020 foi revisto para 10%, ante estimativa anterior de 15,4%, em linha com redução na expectativa de crescimento da economia e seus efeitos sobre o mercado de trabalho, com impactos sobre a expansão da massa salarial”, diz o BC.

Em relação ao saldo de crédito com recursos direcionados, houve diminuição na projeção de crescimento divulgada em dezembro, de 8,1% para 5%.

“É importante notar que o ajuste nas projeções de 2020 concentrou-se majoritariamente nas operações de crédito financiadas com recursos livres, mais sensíveis ao ciclo econômico e que tiveram crescimento expressivo nos últimos anos”, conclui o BC.

Transações correntes

O déficit em transações correntes (contas externas), que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do Brasil com outros países, deve ficar em US$ 41 bilhões, este ano, segundo o Relatório de Inflação.

Esse valor deve corresponder a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país. A previsão anterior, divulgada em dezembro, era US$ 57,7 bilhões (3,1% do PIB).

“Os principais fatores que influenciaram as revisões repercutem os efeitos econômicos da pandemia de coronavírus (covid-19), que deverão afetar significativamente o crescimento global, bem como a redução na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2020, e as recentes mudanças no mercado internacional de petróleo”, diz o BC.

Balança comercial - A projeção do BC para o superávit comercial é de US$ 33,5 bilhões para este ano, refletindo previsões de US$ 191 bilhões para as exportações e US$ 157,5 bilhões para as importações – reduções respectivas de 15,4% e de 14,9% em relação a 2019.

“Em relação às vendas externas, a forte queda nos preços das commodities [produtos primários com cotação internacional] é o principal fator da revisão, acompanhada da redução nas exportações de produtos manufaturados devido ao ambiente externo mais desafiador. A redução no valor das importações tem como principais vetores a desvalorização do real frente ao dólar americano e o menor crescimento da atividade doméstica”, diz o relatório.

Serviços - Para a conta de serviços (viagens internacionais, transporte, aluguel de investimentos, entre outros), a previsão é de retração de 14,1%, atingindo US$ 30,2 bilhões (US$ 36 bilhões no relatório anterior). “Destaca-se a revisão da conta de viagens, com redução de US$ 6,5 bilhões nas despesas líquidas [gastos de brasileiros no exterior menos receitas de estrangeiros no Brasil], refletindo os efeitos do câmbio mais depreciado [alta do dólar] e das restrições a viagens geradas pela pandemia de covid-19”, diz o BC.

Renda - Do lado da renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários), o BC espera recuo das remessas líquidas em 2020 em relação ao ano anterior, atingindo déficit de US$ 45,8 bilhões. “A projeção para o pagamento de juros, em US$ 21 bilhões, situa-se abaixo do valor observado em 2019 (US$ 25,2 bilhões), influenciada pelo cenário de menores taxas de juros no mercado internacional”, acrescenta o relatório.

A estimativa para as remessas líquidas de lucros e dividendos diminuiu para US$ 25 bilhões (US$ 34 bilhões na projeção anterior), resultado do câmbio mais depreciado e de menor desempenho da atividade doméstica.

Investimentos - As incertezas relacionadas aos impactos econômicos do covid-19, ao enfraquecimento do comércio internacional e à queda de preços do petróleo reduziram também as perspectivas de entradas líquidas de Investimentos Diretos no País (IDP) para US$ 60 bilhões no ano, ante US$ 80 bilhões projetados no último Relatório de Inflação.

Quando o país registra saldo negativo em transações correntes, precisa cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o IDP, porque os recursos são aplicados no setor produtivo.

Empréstimos - “Espera-se equilíbrio entre amortizações e ingressos de empréstimos diretos e títulos de longo prazo, resultando em taxa de rolagem [razão entre desembolsos e amortizações] de 100% em 2020, ante 80,4% em 2019”, afirma o Banco Central.

Do lado dos ativos, a projeção para o investimento brasileiro no exterior foi reduzida a US$ 10 milhões para 2020, ante US$ 22,1 bilhões em 2019.

Por último, foram mantidos os investimentos em carteira no exterior, que deverão alcançar US$ 5 bilhões em 2020, abaixo dos US$ 11,2 bilhões registrados em 2019.

Acesse o Relatório Trimestral de Inflação aqui.

Com Agência Brasil

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