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29/11/2016 14:10 por Redação

População ocupada tem queda mais acentuada, pressionando a taxa de desemprego

Mercado de trabalho fraco e recuo dos índices de confiança apontam para recuperação mais gradual da economia

Depec-Bradesco*

A taxa de desemprego atingiu 11,8% no trimestre findo em outubro, segundo a Pnad Contínua, divulgada hoje pelo IBGE. O resultado ficou em linha com nossa projeção e ligeiramente abaixo da mediana das expectativas do mercado coletadas pela Bloomberg, de 11,9%. Descontados os efeitos sazonais, a desocupação subiu de 11,9% no trimestre encerrado em setembro para 12,3% na leitura de outubro. Na comparação com igual período de 2015, houve elevação de 2,9 pontos percentuais.

Leia: PNAD Contínua: desemprego ficou em 11,8% no trimestre encerrado em outubro.

Mantendo a tendência de queda dos meses anteriores, a população ocupada caiu 2,6% em relação ao mesmo período do ano passado, ante retração de 2,4% verificada em setembro. A População Economicamente Ativa (PEA), por sua vez, seguiu em desaceleração, ao avançar 0,6%, após elevação de 0,8% no mês anterior. Mais uma vez, o comportamento da PEA acabou amenizando a elevação da taxa de desemprego no período. A taxa de participação, por sua vez, ficou praticamente estável na margem, ao alcançar 61,2%, após oscilar perto de 61,5% no primeiro semestre.

Após ter registrado ligeira desaceleração em setembro, o rendimento médio nominal mostrou modesta aceleração em outubro, na comparação interanual, ao passar de uma alta de 6,7% para outra de 7,0%. Embora a série seja bastante volátil, a média móvel dos últimos três meses aponta para um ganho de 6,9%, bastante abaixo da expansão média de 9,4% apresentada em outubro de 2015 (ainda que seja superior ao verificado nos últimos meses). Vale destacar que o resultado, que considera também os trabalhadores informais e autônomos, foi inferior à elevação de 8,2% dos salários médios dos empregados admitidos do Caged, que abrange apenas os profissionais formais com carteira assinada restrito. Nos próximos meses, os rendimentos deverão seguir trajetória de moderação, colaborando para o processo desinflacionário em curso. Já o rendimento médio real habitual atingiu R$ 2.025,00 em outubro, o equivalente a uma queda interanual de 1,3%.

Comparando o desempenho do mercado de trabalho e a dinâmica da geração/destruição do emprego nas últimas leituras da Pnad Contínua, notamos que o emprego informal começou a recuar no trimestre findo em outubro.  A população ocupada informal caiu 0,3% na média dos últimos três meses, ante expansão de 3,1% registrada, em média, nos últimos seis meses, contribuindo, assim, para a contração mais intensa da ocupação no período. Além disso, o emprego por conta própria, que vinha amenizando a retração da população ocupada no primeiro semestre deste ano, recuou 16,4% nos últimos três meses. O mercado de emprego formal, por sua vez, praticamente manteve o ritmo de ajuste, com recuo de 3,4% nos últimos três meses ante outro de 3,6% nos últimos seis meses.

Diante da continuidade da queda da população ocupada e dos últimos resultados do mercado de emprego formal do Caged, acreditamos que o mercado de trabalho seguirá fraco nos próximos meses. Somam-se a isso, o recuo dos diversos índices de da confiança neste mês e a queda dos indicadores coincidentes de atividade no curto prazo, que apontam para uma recuperação mais gradual da economia à frente. Dessa forma, os ajustes, considerando o número de pessoas ocupadas e a descompressão dos ganhos salariais, deverão persistir ao longo dos próximos meses, à medida que o mercado de trabalho reagirá de forma defasada à melhora da economia esperada para o ano que vem.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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