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29/11/2017 14:03 por Redação

Investimentos devem iniciar retomada no terceiro trimestre, com alta de 2%

Em 2018, recuperação do FBCF continuará focada em modernização e ampliação, como neste ano

Depec-Bradesco*

Os investimentos foram fortemente afetados durante os últimos anos da recente crise, atingindo seu menor patamar desde o início da série calculada pelo IBGE, em 1996. A formação bruta de capital fixo (FBCF) chegou a 15,8% do PIB nos quatro trimestres acumulados até junho deste ano. Entretanto, o aumento da confiança dos empresários e a melhora do ambiente econômico e das condições financeiras abrem espaço para novos investimentos, apesar da elevada ociosidade da economia brasileira. Assim, projetamos alta de 2,0% da formação bruta de capital fixo (FBCF) no terceiro trimestre deste ano, iniciando a retomada dos investimentos, número que será conhecido na próxima sexta-feira (1º de dezembro), quando o IBGE divulgar as contas nacionais.

É importante salientar que já observamos maior intenção de investir dos empresários, o que tem sido apontado pela recuperação no número de investimentos divulgados na imprensa, e também pela pesquisa de intenção de investimentos da FGV. Outro elemento que corrobora essa perspectiva mais favorável para os investimentos advém das pesquisas de confiança de empresários, que vêm sinalizando melhora da visão em relação à situação atual e às expectativas para os próximos meses nos diversos setores. A maior intenção dos empresários em investir reforça nosso cenário de retomada gradual dos investimentos ao longo dos próximos meses, especialmente no próximo ano, quando projetamos alta de 6,0% do FBCF.

A coleta de anúncios de investimentos, que temos realizado desde 2006 na imprensa brasileira mostra os primeiros sinais de recuperação. Após quatro anos seguidos de retração, nos primeiros dez meses deste ano foram registrados 590 anúncios, superando os 512 anúncios no mesmo período de 2016. O resultado se acelerou no segundo semestre, com a média mensal passando de 44 anúncios por mês, entre janeiro e junho, para 82 anúncios entre julho e outubro. Somente em outubro foram registrados 125 novos aportes. A aceleração ocorreu de forma generalizada, com destaque para indústria e comércio, mas também com melhora marginal dos anúncios de investimento no setor de serviços.

A abertura dos dados permite identificar que o melhor desempenho no número de investimentos anunciados neste segundo semestre está atrelado à indústria e ao comércio, acompanhando a retomada da produção industrial e o crescimento das vendas do comércio varejista. Enquanto a indústria foi beneficiada pela aceleração da economia global, o varejo contou com os saques das contas inativas do FGTS e com a acomodação do mercado de trabalho, mais intensa e mais rápida do que o antecipado. O setor de serviços, por sua vez, mostrou expansão do ritmo médio de anúncios de investimentos, mas sua aceleração foi mais modesta que nos demais setores, o que é compatível com a evolução da receita bruta de serviços, cuja retomada tem sido mais defasada em relação às demais pesquisas conjunturais do IBGE.

Notamos também que, apesar da retomada dos anúncios, eles estão sendo mais voltados à modernização e ampliação, especialmente em busca de processos mais eficientes. Nos anos de forte crescimento, os projetos greenfield tinham maior espaço, respondendo por mais 50% do total anunciado. Em alguns anos, chegaram a responder por mais de 70% dos anúncios. Neste segundo semestre, entretanto, esse tipo de projeto responde por menos da metade do total, percentual que vem sendo reduzido desde 2015. Dessa forma, a trajetória de recuperação dos investimentos é compatível com a elevada ociosidade na economia brasileira– o nível de utilização da capacidade ociosa na indústria tem girado ao redor de 74% nos últimos meses, ou seja, bem abaixo dos 85% vigentes nos períodos de elevado crescimento econômico.

Diante desse cenário de baixa utilização da capacidade instalada mas gradual retomada da demanda final, nos últimos três meses já notamos certa reversão da FBCF mensal estimada. É verdade que os investimentos seguem em patamar baixo, conforme dito anteriormente, já que a razão investimento / PIB atingiu 15,8% nos últimos quatro trimestres encerrados em junho. Entretanto, entendemos que a trajetória de recuperação já foi iniciada, especialmente a partir de agosto, com aumento do consumo doméstico de bens de capital e dos insumos típicos da construção civil.

Além disso, a perspectiva de aceleração da economia doméstica favorecerá novos investimentos ao longo dos próximos meses. Após o crescimento projetado de 2,0% da FBCF no terceiro trimestre, esperamos alta de 1,0% no quarto trimestre. Ainda assim, a FBCF deverá encerrar o ano com queda de 3,0%, voltando a apresentar expansão somente em 2018, a qual, segundo nossas estimativas. deverá ser de 6,0%. Além disso, a recuperação dos investimentos continuará focada em modernização e ampliação, como neste ano, dada a elevada ociosidade na economia brasileira e a busca por processos mais eficientes.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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