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30/05/2019 09:29 por Redação

Crédito: o fator juros (Análise IEDI)

Ciclo positivo de expansão do crédito, propiciado pelas reduções passadas da taxa básica de juros (Selic) parece começar a se esgotar

Os dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Banco Central mostram que, mal começou a melhorar, e o quadro do crédito corporativo já dá novos sinais de retrocesso. Em abril, assim como em março, as concessões cresceram muito pouco em termos reais, sinalizando um giro muito baixo dos negócios, mas também o constrangimento de alguns canais de financiamento, notadamente o BNDES, mas não apenas.

Os novos empréstimos às empresas, que em termos reais tinham registrado expansão de +18% no 3º trim/18, cresceram apenas 9,5% no 1º trim/19, evolução esta que ficou ainda mais fraca no mês passado. A variação foi de meros +2,6% frente a abr/18, já descontada a inflação medida pelo IPCA.

Na origem deste movimento encontram-se tanto as fontes oficiais como as linhas de crédito cujas condições são livremente pactuadas entre as partes. No primeiro caso, ganha destaque a desaceleração do crédito do BDNES deste março último, a retração do crédito rural e a volatilidade do financiamento imobiliário. No segundo caso, são as linhas do crédito livre para capital de giro e desconto de duplicatas que crescem menos, enquanto conta garantida e desconto de cheques sofrem contração.

Assim, a expectativa de o crédito corporativo deixar de ser um obstáculo para a recomposição do financiamento geral da economia pode vir a ser frustrada, caso persista este encolhimento do ritmo de contratação de novos empréstimos às empresas. Não por outra razão o crescimento das concessões totais também refluiu de +12,6% no final de 2018 para +8,7% em abr/19.

Por ora, o crédito às famílias continua mantendo uma expansão muito próxima daquela do final do ano passado, como mostram a seguir as variações frente ao mesmo período do ano anterior. 

• Concessões reais totais: +12,6% no 4º trim/18; +9,7% no 1º trim/19 e +8,7% em abr/19;
• Concessões reais às empresas: +12,2%; +9,5% e +2,6%, respectivamente;
• Concessões reais às famílias: +12,9%; +9,8% e +13,6%, respectivamente.

Este comportamento do crédito às pessoas físicas pode, porém, vir a arrefecer em resposta à evolução das taxas médias de juros. Embora em ritmo bastante lento frente ao seu elevado patamar, os juros nominais destes empréstimos têm registrado elevação. Na média das linhas do crédito livre, as taxas cobradas das famílias progrediram de 50,8% ao ano no 4º trim/18 para 52,7% a.a. no 1º trim/19 e para 53,6% a.a. em abril.

O fator juros também pode estar pesando no segmento corporativo. Desde final do ano passado, as taxas nominais destes empréstimos pararam de cair. Se considerarmos a parcela livre do crédito, que reflete melhor as condições de mercado, o patamar médio é de 20% ao ano tanto no 4º trim/18 como no 1º trim/19 e em abr/19.

Estes dados podem estar sugerindo que o ciclo positivo de expansão do crédito, propiciado pelas reduções passadas da taxa básica de juros (Selic) começa a se esgotar e, com isso, a contribuir menos para a renegociação de dívidas em atraso dos agentes e a reativação dos gastos de empresas e famílias.

Leia a Análise IEDI na íntegra aqui.

* Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial

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