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31/03/2017 13:08 por Redação

Depec-Bradesco: “Taxa de desemprego ficou praticamente estável em fevereiro”

Expectativa é de que a ocupação apresente quedas menores à frente

Depec-Bradesco*

Os dados de mercado de trabalho referentes a fevereiro divulgados hoje não trouxeram grandes novidades em relação às divulgações anteriores. Apesar da surpresa bastante positiva com o resultado do Caged de fevereiro, que mostrou geração positiva de vagas formais, a taxa de desemprego ficou praticamente estável no período, com queda da ocupação na margem.

PNAD Contínua: desemprego subiu para 13,2% no trimestre encerrado em fevereiro.

A taxa de desemprego chegou a 13,2% no trimestre findo em fevereiro, de acordo com a Pnad Contínua divulgada hoje pelo IBGE. O resultado ficou em linha com a nossa projeção e com a mediana das expectativas do mercado (ambas de 13,1%), segundo coleta da Bloomberg. Descontada a sazonalidade, a taxa ficou praticamente estável, ao passar de 13,1% para 13,0%. Na comparação interanual, a taxa subiu 2,9 pontos percentuais.

A ocupação praticamente manteve o ritmo de queda interanual das últimas três leituras, ao cair 2,0%. Na margem, a população ocupada recuou 0,3%, revertendo a alta de 0,2% observada em janeiro. No mesmo sentido, a População Economicamente Ativa (PEA) registrou alta interanual de 1,4%, também semelhante à variação do mês anterior (1,5%). Assim, a taxa de participação permaneceu estável em 61,5% no período.
 
Apesar do recuo na margem em fevereiro, temos visto queda ligeiramente menos intensa da população ocupada na média dos últimos três meses.  Como destacamos em publicações anteriores, o movimento está relacionado, principalmente, ao crescimento do emprego por conta própria, que é responsável por cerca de 25% da ocupação total. De fato, houve alta de 1,9% dessa categoria nos últimos três meses, ante retração de 3,0% no último trimestre.

O rendimento médio nominal também mostrou velocidade de alta semelhante à de janeiro, na comparação interanual, ao passar de uma elevação de 6,7% para outra de 6,9% no período. Nos próximos meses, acreditamos que os ganhos de rendimento em termos nominais seguirão moderados, favorecendo a forte desinflação em curso. O rendimento médio real habitual atingiu R$ 2.068,00 em fevereiro, o equivalente a uma alta interanual de 1,5%.

Acreditamos que o ajuste do mercado de trabalho será menos intenso nos próximos meses, devendo se encerrar até o terceiro trimestre deste ano, respondendo de forma defasada à recuperação da economia. Assim, esperamos que a ocupação apresente quedas menores à frente, bem como saldos de emprego formal do Caged cada vez menos negativos, realizados os ajustes sazonais. Por fim, devemos observar continuidade do crescimento dos rendimentos reais, em virtude da desaceleração da inflação.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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