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23/09/2019 15:50 por Redação

O avanço das agetechs

2020 será o ano da “agetech”, a tecnologia a serviço do envelhecimento, assim como as “fintechs”, startups financeiras, foram destaque este ano

Rachel Cardoso*

Está marcado para abril do ano que vem, em Londres, a segunda edição do Longevity Leaders World Congress.  O evento reunirá as maiores autoridades mundiais no campo da longevidade, de cientistas a investidores e CEOs de empresas de seguros. A aposta é que 2020 será o ano da “agetech”, a tecnologia a serviço do envelhecimento, assim como as “fintechs”, startups financeiras ganharam destaque no mercado este ano.

Um sinal dessa movimentação já é observado no interesse dos investidores de capital de risco, como Dominic Endicott. Como sócio da Nauta Capital, ele liderou o investimento no GreatCall, empresa de tecnologia de saúde que oferece produtos e serviços para os mais velhos, quando ainda era uma startup, em 2007. O GreatCall foi comprada pela Best Buy por US$ 800 milhões, a maior aquisição já realizada pela varejista de eletrônicos.

Não à toa, o GreatCall é visto hoje pelo mercado como referência em “agetech”. E foi com base nessa experiência que Dominic montou um dos primeiros fundos de capital focado exclusivamente no segmento, o 4 GEN Ventures. 

Outro indício vem das próprias gigantes da tecnologia. No passado, Apple, Amazon, Google, Microsoft e Facebook tiveram 41% do seu faturamento nos Estados Unidos – algo em torno de US$ 150 bilhões, o equivalente a R$ 600 bilhões – vinculados ao mercado da longevidade, segundo a Organização Inova Mundo, dedicada a fortalecer o ambiente de negócios por meio do conhecimento.

É justamente para desenvolver o conhecimento sobre tecnologia no apoio à vida da pessoa idosa, que chega a sua 3ª edição o Congresso Brasileiro da Gerontotecnologia. Um evento promovido pela Sociedade Brasileira de Gerontotecnologia (SBGTec), fundada em setembro de 2017. Foi no campus da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto que surgiu o embrião para essa associação científica de natureza civil, sem fins lucrativos.

Essa combinação da gerontologia e da tecnologia garante a pesquisa para a criação de interfaces tecnológicas para a saúde, habitação, mobilidade, comunicação, lazer e trabalho das pessoas mais velhas. E os resultados formam a base para designers, construtores, engenheiros, fabricantes, e aqueles que atuam nas profissões de saúde, proporcionarem um ambiente de vida melhor para os idosos. Além, é claro, de fomentar uma indústria valiosa, mas que precisa crescer pautada por limites éticos na busca obsessiva pelo antienvelhecimento.

“A pergunta é: devemos nos preocupar em viver para sempre ou em viver nas melhores condições possíveis?”, questiona a jornalista Ana Vidal Egea, na reportagem Quem quer viver para sempre? As barreiras éticas do mercado da longevidade, publicada pelo El País.

A resposta pede debates como os que ocorrerão em Londres e em São Paulo. São oportunidades importantes de se ampliar as discussões multidisciplinares em torno do binômio tecnologia e envelhecimento,  assim como promover o intercâmbio de saberes para o fortalecimento do conhecimento necessário à sociedade em transformação.

Três eixos devem nortear os debates: a ciência do envelhecimento e seu potencial de novos tratamentos para aumentar a expectativa de vida; bem-estar na velhice, que inclui os produtos e serviços voltados para este segmento; e os riscos da longevidade, com as métricas do impacto econômico desse processo.

Afinal, uma humanidade mais longeva exige saídas para viabilizar que as pessoas tenham conhecimento e acesso ao que precisam para melhorar sua qualidade de vida.

Saiba mais:

Longevity Leaders World Congress
• Congresso Brasileiro da Gerontotecnologia
From first investor in great call to founding an agetech fund


* Rachel Cardoso, jornalista, é editora do blog Casa de Mãe.

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