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29/05/2019 15:29 por Redação

O que explica o baixo crescimento da economia brasileira?

Narrativas de menor crescimento global, menor expansão fiscal e queda de juros de equilíbrio estão as hipóteses mais prováveis

Igor Velecico*

A velocidade da economia brasileira perdeu tração recentemente. Nesta semana conheceremos o PIB do primeiro trimestre de 2019, para o qual se projeta pequena retração na margem. Combinada à expansão de 0,1% no quarto trimestre de 2018 e à projeção atual para o segundo trimestre (expansão de 0,2%), há um diagnóstico óbvio de crescimento muito fraco, especialmente ao se levar em conta que a taxa Selic está no seu mínimo histórico, de 6,5%.

Cabe, portanto, perguntar quais são as possíveis explicações para esse baixo crescimento. Neste texto, descreveremos as principais narrativas que poderiam explicar esse fenômeno. Ao final, fazemos um balanço sobre quais possuem maior aderência empírica e quais podem ser rejeitadas com maior probabilidade. A conclusão é de que as narrativas de menor crescimento global, menor expansão fiscal e queda de juros de equilíbrio são as que nos parecem mais prováveis para explicar a decepção com o crescimento. De fato, as duas primeiras representam choques negativos de demanda agregada, que teriam em princípio efeito líquido deflacionário.

A narrativa de tamanho e duração da crise também nos parece plausível, mas difícil de quantificar. Talvez o mais provável é que tenhamos agentes (empresários) heterogêneos, de tal sorte que para alguns, a reforma da previdência e a queda dos riscos fiscais sejam suficientes para iniciar novos investimentos, ou dar seguimento aos que já estão represados. Para outros, talvez seja necessário que a demanda agregada cresça de maneira mais robusta, ou que o custo de oportunidade (taxa de juros) caia além dos 6,5%. A narrativa de incerteza de política econômica também faz sentido, contudo, não é trivial medir a percepção de risco fiscal do setor real. Se os preços de ativos brasileiros, como o dólar, forem uma boa proxy para isso, então a deterioração desse risco aumentou, de fato, apenas a partir de meados de março, quando o real chegou a R$/US$ 3,9.

Por sua vez, a narrativa de aperto das condições financeiras faz sentido, mas entendemos que o canal de transmissão é rápido e que os efeitos desse choque sobre a economia já seriam desprezíveis no primeiro trimestre de 2019, ou seja, é um vetor possível mas não explica a perda de tração ao longo de 2019. Entendemos que a narrativa do PIB potencial menor é aquela com maior número de evidências contrárias. É muito provável que o PIB potencial tenha caído de forma importante nos últimos anos, mas não a ponto de ser o causador do baixo crescimento recente por restrições de oferta. Por fim, concordamos que reformas do lado da oferta são as mais promissoras para acelerar o crescimento nos próximos anos e que estímulos fiscais não devem ser considerados, diante da frágil situação das contas públicas.

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* Igor Velecico é economista do Departamento de Estudos e Análises Econômicas do Bradesco.

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