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24/05/2019 13:59 por Redação

Pesquisa mapeia vida digital dos brasileiros maduros

Quase 80% dos entrevistados 50+ estão dispostos a experimentar novos produtos e se dizem abertos para as tecnologias

Envelhecer hoje é um processo completamente diferente do que foi décadas atrás. E parte dessa mudança está inteiramente associada à presença da internet na vida dos novos seniores. É o que concluiu o estudo realizado pela MindMiners, empresa de tecnologia especializada em pesquisa digital, em parceria com a consultoria de marketing Hype60+.

O levantamento “Maduros e Digitais” mapeou o comportamento dos brasileiros acima de 50 anos para identificar como é a vida digital nessa faixa etária. Foram investigadas as diferentes formas de consumo e a interação em variados canais, além de aprofundar a relação do consumidor sênior com influenciadores digitais.

Os resultados mostram que quase 80% dos 534 respondentes estão dispostos a experimentar novos produtos e marcas e 74% se sentem abertos para testar novas tecnologias. Whatsapp (88%), Facebook (65%) e Instagram (48%) são as redes sociais preferidas desse público. Muitos usam serviços digitais considerados para jovens: 70% deles consomem conteúdo na Netflix, 58% têm conta no Spotify.

Um cenário que inspirou a consultora Hype60+ a criar o núcleo de influenciadores Silver Makers - um hub de inteligência que propõe soluções que combinam o contexto das marcas com estratégia de influência para consumidores maduros.

Isso porque há um território vasto a ser explorado por vários segmentos do consumo, inclusive, com o apoio de influenciadores digitais dessa nova geração de prateados. A produção de conteúdo digital, contemporâneo e relevante – que dialogue com os desafios, anseios e necessidades desse público – pode inserir marcas dentro de um novo contexto.

Segundo Layla Vallias – cofundadora da consultoria de marketing Hype60+ e uma das coordenadoras do levantamento – é preciso recalibrar o olhar sobre o envelhecimento com base no uso de dados, pesquisas e momentos de escuta e empatia com os novos maduros brasileiros. “Precisamos motivar a sociedade a questionar o ageismo; o preconceito contra as pessoas com mais de 60 anos é prejudicial à sociedade e aos negócios”.

Dados do Instituto Brasileiro de Pesquisas e Estatísticas apontam que, hoje os maduros já representam quase 20% do consumo, movimentando cerca de R$ 1,6 trilhão. O Brasil é um dos países com um envelhecimento populacional mais acelerado do mundo.

Em 32 anos, o país será o sexto com maior parcela da população 60+, estando à frente de todos os países em desenvolvimento. Um avanço exponencial que tem surpreendido estatísticas como a do IBGE que apontava que o Brasil alcançaria 30 milhões de idosos apenas em 2025 – marca atingida em 2018.

Para Danielle Almeida, head de marketing da MindMiners, a ideia de estudar os maduros veio do desejo de explorar esse lado tecnológico, curioso e ativo que eles possuem e que ainda é desconhecido e/ou ignorado pelas marcas. “Trata-se de um público altamente consumidor, mas que parece invisível quando o assunto é a estratégia de marketing das grandes empresas. É fundamental que sejamos não apenas capazes de atender essas demandas, mas principalmente romper com os estereótipos que a publicidade insiste em utilizar para representá-los”, disse Danielle.

PRINCIPAIS CONCLUSÕES DO ESTUDO

Os novos maduros são ativos e digitais. A maioria dos entrevistados está trabalhando em empresas ou fora delas – 71%. Mesmo entre os aposentados, a rotina semanal é intensa: atividade física, voluntariado, interação com amigos e familiares. Entre os desejos, querem interagir e provar que têm muito a contribuir; fazem questão que a sociedade saiba que estão ativos.

No detalhamento, 24% trabalham como funcionários de empresas; 22% atuam como autônomos; 22% estão aposentados e não trabalham; 15% são aposentados e continuam trabalhando; 11% são empreendedores; e 6% estão desempregados.

A forma de enxergar a maturidade também foi objeto da pesquisa. Para 83% dos entrevistados, as gerações mais velhas aprendem com as mais novas e vice-versa. Para 24% dos maduros, há preconceito etário – o chamado ageismo.

A despeito das dificuldades, associam a maturidade com uma das melhores fases da vida – sobretudo por ter mais tempo; mais experiência para valorizar situações e pessoas; e para entender o que realmente importa.

Eles são curiosos

Entre os entrevistados, 79% acima de 50 anos estão dispostos a experimentar novos produtos, serviços e marcas; entre os 60+, 74% se sentem abertos para testar novas tecnologias. Quando perguntados se se consideram pessoas digitais, 71% dos entrevistados com 50+ afirmam positivamente; entre os seniores com mais de 60 anos, esse percentual sobre para 74%.

Entre as redes mais conhecidas, destaque para o WhatsApp: 98% conhecem e 95% já utilizaram. O Facebook ocupa a segunda posição – 96% conhecem e 91% usam efetivamente –; seguido por YouTube, com 94% e 51%, respectivamente. O índice dos demais para conhecimento e uso são: Messeger (91% e 76%); Instagram (89% e 73%); Twitter (69% e 34%) e LinkedIn (63% e 41%).

As redes sociais preferidas dos maduros, são WhatsApp (88%), Facebook (65%) e Instagram (48%). Entre os principais motivos para a preferência, estão: acesso a novidades, possibilidade de se relacionarem com os amigos, conversar com a família, mostrar o próprio trabalho, facilidade de uso, concentração de amigos e parentes no ambiente virtual, receber fotos e vídeos.

Muito além da curtida

A pesquisa mostra que 70% dos maduros acima dos 50 anos consomem conteúdo na Netflix; 58% têm conta no Spotify; e 27% declaram usar ou ter usado sites e aplicativos de relacionamento.

O estudo se propôs ainda a investigar a relação dos seniores com os influenciadores digitais – pessoas que podem criar movimentos, ditar tendências, influenciar decisões, opiniões e pontos de vistas. Entre os Millennials, os influenciadores são conhecidos por recomendar produtos e serviços; por terem um poder de fala que rivaliza com meios como tevê e rádio, podendo estar ao alcance de milhões de pessoas ao redor do mundo, tendo por “moeda” a confiança. Em uma época na qual a publicidade convencional está sendo questionada, os influenciadores têm ditado novas formas de promover marcas.

A análise do impacto dos influenciadores entre os 50+ mostra que 67% dos maduros sabem o que é o influenciador digital; 46% dos entrevistados seguem algum desses influenciadores nas redes sociais. Entre os tópicos de interesse, 55% apontam moda e beleza; 51% comportamento e relações humanas; 50% entretenimento e cultura; 47% culinária e gastronomia; e 45% saúde e fitness.

Alguns Top of Mind entre os influenciados digitais não diferem muito das gerações mais jovens: Felipe Neto, Whindersson Nunes, JoutJout, Ricardo Amorim, Consuelo Blocker e Kéfera. Quando analisamos os favoritos, o resultado difere um pouco: Carlinhos Maia, Consuelo Blocker, Ricardo Amorim, Felipe Neto e Padre Fábio de Melo.

Entre os entrevistados, 82% com mais de 50 anos apontam o celular como dispositivo mais utilizado para acessar conteúdos de influenciadores. E 71% preferem o Instagram; 60% o Youtube; e 48% o Facebook para acompanharem as novidades. A análise de formato de conteúdo mostra que mais da metade dos entrevistados preferem o vídeo (53%) e 35% declararam preferir o formato de texto.

Os influenciadores digitais estão apresentando aos maduros novos produtos e serviços. Entre 71% dos entrevistados com mais de 50 anos, a afirmativa recorrente é que ficaram sabendo de determinado item de consumo por indicação desses atores digitais; 18% dos maduros buscam informações de produtos e serviços com esses influenciadores digitais e celebridades. 75% dos maduros afirmaram que descobriram e compraram produtos por essa indicação.

Ou seja, há uma compra efetiva impulsionada pela recomendação. Entre os que compraram, 48% adquiriram produtos de higiene e beleza; 41% compraram roupas; e 33% calçados. Entre as demais categorias que merecem destaque: perfume (30%); viagem (31%); eletrodoméstico (25%); e serviço por assinatura (16%).

Microinfluenciadores maduros

O estudo foi além da detecção dos influenciadores digitais conhecidos – observou a presença de microinfluenciadores e produtores de conteúdos relevantes para os maduros brasileiros. Entre os destaques, Silvia Fernandes (Silvia rumos aos 60s) e Rosangela Marcondes (It Avó).

Maior que a população do Chile e Uruguai juntas, o número de maduros já soma 30 milhões no Brasil; em pouco tempo, o país será o sexto maior do mundo com população com mais de 60 anos. Pela primeira vez na história, a humanidade tem mais tempo para viver; sonhar; reinventar a vida, a carreira, os relacionamentos e a própria trajetória.

A chave está em desenvolver novos territórios nos quais o capital social e intelectual lapidado em décadas possa redefinir padrões de consumo e comportamento.

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